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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM O AUTOR MARCÍLIO MORAES: UMA CARREIRA CONSAGRADA NA TV E NO TEATRO



Marcílio Moraes é hoje um dos grandes autores de novelas do Brasil. Formado em Letras, ele pretendia seguir a carreira literária. Começou escrevendo contos e logo estava escrevendo peças de teatro, entre elas, "Sonata Sem Dó" e "Aracelli". A televisão foi um caminho natural. Marcílio foi co-autor de novelas importantíssimas da nossa teledramaturgia, como "Roque Santeiro" (1985) e "Roda de Fogo" (1986). Foi parceiro de Dias Gomes em novelas e minisséries de sucesso, como a já citada "Roque Santeiro", "Mandala" (1987) e "As Noivas de Copacabana" (1991), que será reprisada em breve no Canal Viva. Na Globo, seu maior sucesso como autor-solo é a novela "Sonho Meu" (1993), que foi baseada em duas novelas de Teixeira Filho. Na Record desde 2005, Marcílio já escreveu três novelas na emissora, incluindo o mega-sucesso "Vidas Opostas" (2006), que atingiu índices de audiência nunca antes vistos nas novelas da Record e ficou na liderança várias vezes. O autor também escreveu os seriados policiais "A Lei e o Crime" (2009) e "Fora de Controle" (2012) na Record, e publicou o romance "O Crime na Gávea" (2003). Nessa entrevista exclusiva para o blog, Marcílio Moraes fala sobre sua longa e bem sucedida carreira e relembra alguns de seus trabalhos mais marcantes, entre outras coisas. Confiram:

SUPER TV E MAIS! - Você é formado em Letras. Pensava em escrever para teatro e televisão desde aquela época? O fato de ter cursado Letras ajudou você na hora de escrever suas novelas e peças?

MARCÍLIO MORAES - Meu projeto inicial era literatura. Abandonei a faculdade de Direito e fui fazer Letras com este objetivo.  Meus primeiros trabalhos foram contos. E alguns romances de bang bang, desses vendidos em bancas de jornal, escritos sob pseudônimo,  para ganhar um dinheirinho.

Depois, durante alguns meses, fiz crítica teatral no Jornal do Commercio, o que me estimulou a escrever uma peça. Chamava-se “Só Engorda Quem Negocia”. Um grupo de alunos da Escola de Teatro se interessou e começamos a montar o espetáculo. Mas aquela era uma época cruel. O texto foi sumariamente proibido pela Censura Federal. Para não perder tudo, escrevi com o grupo um espetáculo baseado nas experiências deles próprios, chamado “O Ator Cara de Bolacha”.

Por sorte, logo em seguida, ganhei um prêmio nacional com a peça: “A Vaca Metafísica”. E aí começou minha carreira como dramaturgo profissional.

Ter cursado Letras, embora eu tenha sido um péssimo aluno – basicamente só fiz política na faculdade – sempre me ajudou muito,  porque eu li e estudei algumas obras fundamentais para quem se dedica à arte.

SUPER TV E MAIS! - O que você destaca da experiência de ter feito parte da equipe de autores de "Roque Santeiro", uma das novelas de maior audiência da TV brasileira? Acompanhou a reprise da novela ano passado no Canal Viva?

MARCÍLIO MORAES - “Roque Santeiro” foi minha primeira novela. Tremenda sorte ter sido convidado pelo Dias Gomes para ser colaborador. Foi lendo os primeiros 51 capítulos escritos por ele que aprendi o que era uma novela de qualidade. São uma verdadeira obra prima.

Acompanhei a reprise da novela ano passado no Canal Viva. Foi muito bacana rever tudo aquilo, reconhecer os capítulos que escrevi, 30, na verdade, identificar ideias e intervenções minhas ao longo dos meses em que escrevemos a obra.

"Roque Santeiro" (1985): um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira


SUPER TV E MAIS! - Outra novela de grande sucesso que você escreveu na Globo e que eu tenho muita vontade de assistir é "Sonho Meu" (1993). Que recordações você guarda dessa novela, que infelizmente nunca foi reprisada?

MARCÍLIO MORAES - “Sonho Meu” foi uma novela interessante. Parti de dois textos do Teixeira Filho, “O Ídolo de Pano” e “A Pequena Órfã”. Mas eu não quis fazer um remake. Então juntei as duas ideias de maneira a criar uma trama original.

Foi um tremendo sucesso. Em toda a década de noventa, só uma novela bateu “Sonho Meu” em audiência: “Mulheres de Areia”, da Ivani Ribeiro.

Só para exemplificar, no primeiro capítulo, a novela deu 53 pontos de média, às seis horas da tarde. Porque nunca foi reprisada é um daqueles muitos mistérios globais.

Patrícia França e Leonardo Vieira foram os protagonistas de "Sonho Meu" (1993), grande sucesso do horário das seis


SUPER TV E MAIS! - Em 1995 você foi um dos autores do remake de "Irmãos Coragem", que não não repetiu o sucesso da versão original. Como foi trabalhar nessa novela? Você acha que a história era inadequada para o horário das seis?

MARCÍLIO MORAES - O que aconteceu foi que a história perdeu o vigor que tinha em 1969, quando foi apresentada pela primeira vez. Naquela época, estávamos em plena ditadura e o movimento guerrilheiro se expandia. De forma que os heróis da novela, os mineiros escondidos nas montanhas combatendo o poder autoritário da cidade, eram inconscientemente identificados como os guerrilheiros pelo público. Em 95, quem estava nas montanhas combatendo com armas na mão a polícia eram os traficantes...

Esta foi uma das razões – o horário também pode ter contribuído – do remake não repetir o sucesso da primeira exibição.

Marcílio foi um dos autores do remake de "Irmãos Coragem" (1995)


SUPER TV E MAIS! - Das minisséries que você participou como co-autor na Globo, qual você destacaria?

MARCÍLIO MORAES - A minissérie mais prazerosa que escrevi na Globo foi “Noivas de Copacabana”.  Uma trama policial, coisa que gosto de fazer, inteligente, sofisticada e que deu totalmente certo.

Sem falar nos companheiros de escritura, o poeta Ferreira Gullar e o Dias Gomes, grandes amigos.


Fotos das minisséries "As Noivas de Copacabana" (1992), "Dona Flor e Seus Dois Maridos" (1998) e "Chiquinha Gonzaga" (1999)


SUPER TV E MAIS! - Você está na Record desde 2005, onde assinou as bem sucedidas novelas "Essas Mulheres" (2005), "Vidas Opostas" (2006) e "Ribeirão do Tempo" (2010). Como você analisa a sua trajetória na emissora?

MARCÍLIO MORAES - Vejo minha trajetória na Record de forma muito positiva. A primeira novela que escrevi lá, “Essas Mulheres”, não teve uma audiência muito grande, mas angariou enorme prestígio junto à imprensa, à crítica e a um público sofisticado.



“Vidas Opostas”, que fiz a seguir, obteve enorme repercussão. Não tenho dúvidas em afirmar que foi a novela da Record que mais repercutiu até hoje: críticas, teses universitárias, artigos, comentários, prêmios, tudo que de favorável uma novela pode ter. Além, é claro, da audiência excepcional. Para ficar apenas num exemplo, o último capítulo da novela cravou 25 pontos de média em São Paulo e 29 no Rio. A maior audiência obtida por uma novela da Record em todos os tempos.



Depois fiz “Ribeirão do Tempo”, obra em que me arrisquei mais, construindo uma trama crítica, ácida, de cunho político, e sem concessões aos lugares comuns tão repetidos nas novelas. A audiência foi apenas média e a repercussão, a meu ver, esbarrou em fortes preconceitos políticos, que não cabe aqui discutir.



SUPER TV E MAIS! - Além dessas novelas, você escreveu o seriado "Fora de Controle", que também teve boa repercussão. É verdade que a série não terá uma nova temporada?

MARCÍLIO MORAES - Antes de “Fora de Controle”, eu tinha escrito o seriado “A Lei e o Crime”, na Record, em 2009.  Foram 21 episódios. Teve excelente audiência e grande repercussão, não só na imprensa mas também no meio acadêmico. Uma pena não ter havido uma segunda temporada.

“Fora de Controle” foi uma experiência um pouco diferente. A produção era independente, da Gullane Filmes, de São Paulo, com apoio da Record. Teve apenas quatro episódios, cuja exibição repercutiu muito bem, embora a audiência não tenha sido alta. Infelizmente, também não haverá uma segunda temporada, apesar da vontade da Gullane em produzi-la e do interesse internacional despertado pela série.

Fotos das séries "A Lei e o Crime" (2009) e "Fora de Controle" (2012)


SUPER TV E MAIS! -  Fale um pouco sobre como funciona a Associação dos Roteiristas - AR e de seu trabalho lá.

MARCÍLIO MORAES - Não sou mais o presidente da Associação dos Roteiristas. O atual presidente é o Newton Cannito.  Hoje faço parte do Conselho da entidade e presido uma comissão dedicada aos Direitos Autorais.

O grande objetivo da Associação dos Roteiristas é lutar pelo reconhecimento do valor inestimável do autor-roteirista no audiovisual. Este valor, embora bastante reconhecido na televisão brasileira, é negligenciado no cinema nacional.

Quer dizer, a AR se empenha em dar ao autor-roteirista a dignidade profissional que ele merece.

SUPER TV E MAIS! - Você tem preferência por alguma das novelas que escreveu?

MARCÍLIO MORAES - Gosto de todas, mesmo as mais polêmicas, como “Mandala”. Mas tendo que escolher, ficaria com “Vidas Opostas”.

Marcílio Moraes foi co-autor das novelas "Roda de Fogo" (1986), "Mandala" (1987) e "Mico Preto" (1990)

SUPER TV E MAIS! - E de outros autores? Quais são as novelas que mais te marcaram? Há alguma da qual você gostaria de escrever um remake, se surgisse oportunidade?

MARCÍLIO MORAES - Meu mestre, se é que tive algum,  foi o Dias Gomes. Em geral, não gosto de remakes, mas lendo que o Ricardo Linhares vai reescrever “Saramandaia” senti uma ponta de ciúmes... rs.

SUPER TV E MAIS! - Muitos consideram a atual classificação indicativa uma espécie de censura disfarçada, embora esteja longe de ser tão rígida quanto a antiga censura. O que você acha dessa classificação?

MARCÍLIO MORAES - O problema da classificação indicativa é ser obrigatória e vinculada a horários. Como autor de novelas,  eu sei perfeitamente o que é e o que não é adequado ao meu público. Não preciso que nenhum burocrata do governo me diga o que escrever.

Abertura de "Sonho Meu"


SUPER TV E MAIS! - Muitos reclamam da longa duração das novelas e lutam para que elas sejam mais curtas. Até a Record, que costumava ter tramas bem longas, está investindo em histórias mais curtas. O que você pensa sobre isso? Acha que novelas mais curtas diminuem as chances do público cansar da história?

MARCÍLIO MORAES -  Todo mundo que escreve novelas gosta da ideia de obras mais curtas. Mas a verdade é que, quando uma novela é bem sucedida, suporta bem um número grande de capítulos. Não um número desproporcional, claro. Duzentos, no máximo.

Por outro lado, se a novela não for boa, 100 capítulos já podem ser demais.

E ainda há o caso de novelas que começam mal e depois se aprumam, terminando como grandes sucessos.

A conclusão é aquela velha verdade: tamanho não é documento.

Abertura de "Vidas Opostas"

SUPER TV E MAIS! - Que conselhos você daria para quem sonha escrever para teatro, cinema ou televisão?

MARCÍLIO MORAES - Ler os grandes clássicos da literatura universal.

SUPER TV E MAIS! - Para terminar, quando estreia sua próxima novela na Record? Você já pensou na história?

MARCÍLIO MORAES - Ainda não me deram previsão. Apesar disso, tenho algumas histórias armadas.

Meus agradecimentos ao Marcílio pela ótima entrevista para o blog!

Para saber mais sobre Marcílio Moraes, clique aqui e entre no site oficial dele.  Lá, vocês encontrarão um material bem interessante sobre a vida e as obras do autor.




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

TRILHAS MARCANTES: RAINHA DA SUCATA


A reprise de "Rainha da Sucata" (1990), de Sílvio de Abreu, está fazendo o maior sucesso no Canal Viva. Por isso, essa semana na Sessão "Trilhas Marcantes", vamos relembrar as duas trilhas sonoras principais desse grande sucesso!


TRILHA NACIONAL


Além do hit "Me Chama Que Eu Vou", de Sidney Magal, tema de abertura, a trilha nacional da novela traz sucessos de cantores como Wanderléa ("Foi Assim"), Roupa Nova ("Coração Pirata"), Djavan ("Cigano") e Maria Bethânia ("A Mais Bonita") entre outras.

Veja uma prévia de cada música, com várias cenas da novela:



TRILHA INTERNACIONAL


A trilha sonora internacional de "Rainha da Sucata" está cheia de clássicos, entre elas: "Into My Life" de Colin Haye Band, "Rebel in Me" de Jimmy Cliff, "Listen To Your Heart" de Sonia, "Come Back To Me" de Janet Jackson, "Vision Of Love" de Mariah Carey (que lançou seu primeiro álbum no mesmo ano em que a novela foi exibida) e muito mais.

Veja uma prévia de cada música da trilha internacional da novela:


Além dessas duas trilhas, "Rainha da Sucata" teve uma terceira trilha complementar, com as músicas de lambada que tocavam na novela.

Para saber mais sobre "Rainha da Sucata" e sobre todas as suas trilhas sonoras, clique aqui e entre no site Memória Globo.



segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA - SUZANA PIRES: TALENTO E VERSATILIDADE



Ela é atriz e escritora e se formou em Filosofia. Suzana Pires sempre foi muito versátil e divide as funções de atriz, roteirista e produtora no teatro, cinema e televisão.  No teatro, Suzana participou de peças famosas, como "Toalete" (2007) e "De Perto Ela Não é Normal" (2007). No cinema, atuou em filmes como "Tropa de Elite" (2007) e "Polaróides Urbanas" (2008). Na TV, ela se destacou muito como atriz principalmente nas novelas "Caras & Bocas" (2009), "Araguaia" (2010), "Fina Estampa" (2011) e "Gabriela" (2012). Seja em papéis cômicos ou dramáticos, Suzana arranca elogios de todos. Como roteirista na Globo, ela trabalhou  no humorístico "Os Caras de Pau" em 2010 e 2011 e atualmente faz parte da equipe de autores de "Flor do Caribe", próxima novelas das seis, do autor Walther Negrão, que tem estreia prevista para 11 de março. Trabalhar com Negrão em "Flor do Caribe" está sendo uma grande experiência, como ela mesma diz nessa entrevista, em que fala um pouco sobre sua carreira e sobre seus próximos projetos. Leiam o pequeno bate-papo com a linda e talentosa Suzana Pires:

SUPER TV E MAIS!  - Você é formada em Filosofia. Como surgiram o teatro e a TV em sua vida?

SUZANA PIRES - Comecei a trabalhar profissionalmente como atriz no teatro aos 15 anos. A filosofia veio depois. Eu sempre li muito e tinha vontade de ter uma formação acadêmica nesta área. Então, é o inverso, a escolha de aos 18 anos cursar filosofia foi para deixar a atriz e a autora mais sólidas.

SUPER TV E MAIS! - Você tem um sólida carreira como atriz, autora e produtora no cinema, teatro e TV. É difícil conciliar tantas coisas?

SUZANA PIRES - Já foi difícil. Mas, de uns tempos pra cá consegui formar uma boa equipe, otimizar o tempo e as decisões.

SUPER TV E MAIS! - Na Globo além de atriz você trabalha também como roteirista e atualmente faz parte da equipe de autores da próxima novela das seis, "Flor do Caribe", de Walther Negrão. Você prefere atuar, escrever ou pretende sempre conciliar as duas coisas?

SUZANA PIRES - As duas funções, a de atriz e autora sempre foram uma soma na minha vida. Não vejo motivos para escolher uma ou outra.




SUPER TV E MAIS!  - Apesar de sua carreira na TV ter começado na década de 1990, você ficou mais conhecida depois de interpretar a divertida Ivonnete em "Caras e Bocas" (2009), de Walcyr Carrasco. No ano passado fez a sensual Glória em "Gabriela", também do Walcyr. O que você destacaria desses seus dois trabalhos com o autor?

SUZANA PIRES - Trabalhei com o Walcyr antes da TV. Fiz a peça dele "Toalete", um grande sucesso que ficou 3 anos em cartaz. Acho que nosso encontro profissional tem solidez porque entendi o humor e a dramaturgia dele. Gosto de trabalhar com ele. 

SUPER TV E MAIS! - Em "Fina Estampa" (2011), de Aguinaldo Silva, você viveu duas personagens: a jornalista Marcela, que foi assassinada, e sua irmã gêmea, Joana. Como foi participar dessa novela?

SUZANA PIRES - Foi incrível! Quando o Aguinaldo me convidou para fazer a novela eu não esperava que a personagem fosse ser tudo o que foi. Realmente surpreendente a confiança que ele depositou no meu trabalho. Foi uma grande experiência.


Como Ivonnete em "Caras & Bocas" (2009) e Glória em "Gabriela" (2012)

SUPER TV E MAIS! - Sua parceria com Walther Negrão começou em "Araguaia" (2010), onde você interpretou Janaína. Como foi o convite para fazer parte da equipe de autores de "Flor do Caribe" e como está sendo essa nova experiência em sua carreira?

SUZANA PIRES - Eu já era atriz e autora na TV Globo durante Araguaia. Fazia parte da equipe dos caras de pau. A minha ida para a equipe de autores do Negrão partiu da necessidade dele em renovar sua equipe. Ele me pediu textos meus para ler, avaliou e fez o convite. Escrever com Walther Negrão está sendo a experiência mais enriquecedora da minha vida, até agora.

SUPER TV E MAIS! - Você fará alguma participação em "Flor do Caribe" como atriz ou vai só escrever?

SUZANA PIRES - Ainda estamos definindo isso.

SUPER TV E MAIS! -  Você foi redatora do humorístico "Os Caras de Pau", além de ter escrito várias peças de teatro. Há muitas diferenças entre escrever uma peça, um humorístico e agora uma novela?

SUZANA PIRES - Nossa, muitas diferenças! A principal é a cadência, o ritmo da narrativa.


As gêmeas Marcela e Joana, de "Fina Estampa" (2011)

SUPER TV E MAIS! - Como autora você se identifica mais com comédia, drama ou gosta igualmente dos dois gêneros?

SUZANA PIRES - Ainda não tenho preferências. Estou no caldeirão. Tenho que ter mais tempo de estrada para responder essa pergunta...

SUPER TV E MAIS! -  Você pretende escrever suas próprias novelas no futuro? 

SUZANA PIRES - Eu procuro dar o melhor de mim no dia-a-dia. Vamos ver onde isso vai me levar...


Como Janaína em "Araguaia" (2010)

SUPER TV E MAIS! - E como atriz? Que tipo de personagem você sonha interpretar? Tem vontade de fazer uma grande vilã, por exemplo?

SUZANA PIRES - Acredito que as personagens escolham os atores. Por isso, não escolho. Eu os “recebo” e prezo esta confiança.

SUPER TV E MAIS! -  O que podemos esperar de "Flor do Caribe"?

SUZANA PIRES - Uma grande trama!


Suzana com os autores Walcyr Carrasco e Walther Negrão

SUPER TV E MAIS! - Além da novela, quais são seus outros projetos na TV, cinema ou teatro em 2013?

SUZANA PIRES - Este ano vou me dedicar a escrita. E farei dois filmes com poucas diárias de filmagem.

SUPER TV E MAIS! - Muito obrigado pela entrevista, Suzana. Desejo muito sucesso a você em todas as áreas da sua brilhante carreira. 

SUZANA PIRES - Obrigada você! Beijos!


sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

RECORDANDO: SAI DE BAIXO, UM PROGRAMA INESQUECÍVEL


Assisti recentemente toda a primeira temporada do "Sai de Baixo", um dos programas de humor de maior sucesso da Globo. Exibido entre 1996 e 2002, o "Sai de Baixo" bateu recordes de audiência nos domingos da Globo. Atualmente o programa é reprisado no Viva e transformou-se na maior audiência do canal por assinatura.

Somando todas as temporadas, o "Sai de Baixo" teve 241 episódios. O programa contava com muitos roteiristas e por isso mesmo a qualidade dos episódios oscilava bastante, com alguns ótimos e outros nem tanto, mas o programa teve fôlego para ficar no ar por 6 anos.


Com um humor na maioria das vezes apelativo, mas muito engraçado, o "Sai de Baixo" provocou muitas gargalhadas nos telespectadores com as confusões dos moradores de um prédio do Largo do Arouche, em São Paulo. O solteirão Vavá (Luiz Gustavo) vive em seu apartamento com a empregada Edileuza (Cláudia Jimenes). A vida de todos é abalada com a chegada repentina da irmã de Vavá, Cassandra (Aracy Balabanian), da filha dela, Magda (Marisa Orth) e de Caco Antibes (Miguel Falabella), marido de Magda. Eles vão morar com Vavá depois de ficarem falidos e perderem tudo. 

Com tantas pessoas diferentes convivendo juntas, a confusão e a diversão estão garantidas. Edileuza e Vavá fazem o possível para expulsar os indesejáveis parentes do apartamento e todos ainda tem que conviver com o entra e sai do atrapalhado porteiro Ribamar (Tom Cavalcante), namorado de Edileuza.



Todos os atores estão hilários em seus papéis. Aracy Balabanian e Luíz Gustavo divertem como nunca. Miguel Falabella e Marisa Orth formaram um dos casais mais engraçados de todos os tempos. Impossível não rir com as confusões em que o malandro Caco e a "desinteligente" Magda se metem. Mas o grande destaque dessa primeira temporada é, sem dúvidas, Cláudia Jimenes, que fez de Edileusa a melhor personagem do programa. Ela e Tom Cavalcante formaram uma dupla memorável. 

A primeira temporada é considerada quase por unanimidade como a melhor do programa, justamente por causa da presença de Cláudia Jimenes. No segundo ano, ela foi substituída por Márcia Cabrita, que depois deu lugar à Cláudia Rodrigues. As duas são ótimas atrizes e muito engraçadas, mas depois de assistir Cláudia como Edileuza, fica difícil ver outras atrizes no lugar dela. Apesar disso, O "Sai de Baixo" continuou fazendo sucesso até o seu término em 2002. Também já assisti vários episódios com Márcia Cabrita como Neide Aparecida e Cláudia Rodrigues como Sirene e achei todos muito bons.


Gravado ao vivo no Teatro Procópio Ferreira em São Paulo, uma das marcas registradas do "Sai de Baixo" era o improviso do elenco (alguns erros de gravação chegaram a ir ao ar, de tão engraçados) e a interação dos atores com a plateia, que era praticamente um personagem  do programa.

Entre os meus episódios preferidos da primeira temporada do "Sai de Baixo", estão "Corre que o Tarado Vem Aí", em que Edileusa é atacada por um suposto tarado; "Dona Caca Vem Aí", em que todos recebem a visita da mãe de caco, que é vivida pelo próprio Falabella; "Me Engana Que Eu Gosto", com a antológica participação de Lima Duarte, que enganou todo mundo do elenco ao fingir que ficou zangado de verdade com uma piada, e muitos outros. procurem trechos desses episódios no You Tube, que vocês vão rir muito. 

Para terminar, deixo vocês com um clipe de todas as aberturas do "Sai de Baixo":


Para continuar curtindo o "Sai de Baixo" é só ficar de olho toda terça, às 20h no Canal Viva e para saber mais sobre o programa é só clicar aqui e entrar no Memória Globo!




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ENTREVISTA EXCLUSIVA - WALTHER NEGRÃO: "NÃO ME PREOCUPO EM RENOVAR, MAS EM CONTAR UMA BOA HISTÓRIA"


Walther Negrão é um dos ícones da TV brasileira. Sua carreira na televisão começou em 1958, quando fazia figuração em tele-peças. Em 1959 escreveu sua primeira tele-peça e não parou mais. Virou autor de novelas ainda na década de 1960 e começou  a fazer ainda mais sucesso ao escrever com Geraldo Vietri as clássicas novelas "Antonio Maria" (1968) e "Nino, o Italianinho" (1969). Walther está há muitos anos na Globo e já passou por emissoras como Tupi, Record, Bandeirantes e Cultura. Ele é o segundo autor que mais escreveu novelas no Brasil (entre novelas-solo e trabalhos de co-autoria e supervisão foram quase 40) e perde apenas para Ivani Ribeiro. Entre os grandes sucessos de Walther Negrão estão novelas que marcaram a história da TV, como "O primeiro Amor" (1972), "Pão-Pão Beijo-Beijo" (1983), "Livre Para Voar" (1985), "Despedida de Solteiro" (1992) e muitas outras. Atualmente ele escreve "Flor do Caribe", a próxima novela das seis, que estreia em março. Nessa entrevista exclusiva para o blog, Walther relembra alguns momentos de sua vasta carreira, revela que não pretende parar de escrever nunca, elege seus trabalhos preferidos (e um que ele não gostou tanto) e fala, claro, sobre sua nova novela. Me sinto honrado de publicar essa entrevista com esse grande autor e tenho certeza que todos vocês vão gostar muito. Confiram a entrevista:

SUPER TV E MAIS! - Você é jornalista e começou na televisão fazendo pequenas pontas como ator no "Grande Teatro Tupi", em 1958. Como foi a sua trajetória desde a época em que trabalhava como jornalista até chegar à televisão? Era algo que você já planejava?

WALTHER NEGRÃO - Na verdade, eu era figurante na TV Tupi em 1958. Mas fui fazer teatro como ator e conheci algumas pessoas que me deram força: os diretores Ademar Guerra, Antunes Filho e o ator Armando Bogus. Com o apoio deles escrevi minha primeira tele-peça para o grande teatro tupi, que se chamava “Quadro Sem Moldura”. Foi exibida em dezembro de 1959 e dali em diante não parei mais de escrever para TV. Uma curiosidade: nessa minha primeira peça estreou na TV de São Paulo um grande ator e desde então um grande amigo, o Francisco Cuoco!


SUPER TV E MAIS! -  Você colaborou com Geraldo Vietri nas novelas "Antonio Maria" (1968) e "Nino, o Italianinho" (1969). Depois finalizou "A Cabana do Pai Tomás" (1969) e logo depois escreveu "A Próxima Atração" (1970), sua primeira novela-solo na Globo. Você já imaginava que fosse virar autor de novelas? Como foi o convite para escrever novelas?

WALTHER NEGRÃO - Naquela época não existia a figura do “colaborador”, apenas do “parceiro” ou “co-autor”. Não me considero “co-autor” de "Antonio Maria" porque entrei para escrever já no capítulo 30. Mas em “Nino, o Italianinho” participei desde o inicio e me sinto à vontade para dizer que sou também autor da novela. Por meu trabalho em “Antonio Maria”, Sergio Cardoso me pediu para terminar a novela “A Cabana do Pai Tomás” na Globo. Escrevi apenas os últimos 19 capítulos e fui chamado em seguida para fazer “A Próxima Atração”. Escrever novelas foi o meu caminho natural quando elas apareceram e os teleteatros sumiram da TV.


"Antonio Maria" (1968), "Nino, o Italianinho" (1969) e "A Próxima Atração" (1970)

SUPER TV E MAIS! -  Em novelas como "As Três Marias" (1980) e "O Amor é Nosso" (1981), que não eram de sua autoria, você foi chamado para reformulá-las por causa da baixa audiência. É difícil entrar na novela de outros autores e fazer mudanças nas histórias? Quais as principais dificuldades que você teve?

WALTHER NEGRÃO - Desde “A Cabana do Pai Tomás” não parei mais de ser chamado para botar nos trilhos algumas novelas que apresentavam problemas. Usava-se, então, uma expressão americana pra essa função: “play-doctor”. Mas eu preferia me intitular “meia-sola”, numa referência aos sapateiros que fazem reformas. Até que o Chico Anísio me botou um apelido que me honra muito: “Negrão do pastoreio”. Dificuldades nunca encontrei, porque pior do que estava não podia ficar...


"A Cabana do Pai Tomás" (1969), "As Três Marias" (1980) e "O Amor é Nosso" (1981): novelas que contaram com o reforço de Negrão

SUPER TV E MAIS! -  Há muitas diferenças entre escrever uma novela das seis, sete ou das oito? Você, que já escreveu para os três horários tem preferência por algum deles? 

WALTHER NEGRÃO - Minha preferência hoje é pelo horário das seis. E são três as razões pra isso: trabalha-se muito menos porque são mais curtas, a cobrança e a responsabilidade são menores e ganha-se a mesma coisa.

SUPER TV E MAIS! -  "Cavalo de Aço" (1973) foi sua única novela das oito até hoje. As outras foram exibidas nos horários das seis e sete. Você já teve vontade de escrever novamente para esse horário em virtude da facilidade de abordar assuntos polêmicos com mais liberdade?

WALTHER NEGRÃO - Tenho trauma com novela das oito, desde que fiz “Cavalo de Aço”. Apesar de ter sido um sucesso gratificante, sofri muito com a censura da época. Fui obrigado a mudar o rumo da história cinco vezes em função disso. Hoje, talvez por ser um desafio maior, prefiro escrever para as 18 hs.


Tarcísio Meira e Betty Faria em "Cavalo de Aço" (1973)

SUPER TV E MAIS! -  Você é autor de minisséries de sucesso, como "O Sorriso do Lagarto" e "A Casa das Sete Mulheres", com Maria Adelaide Amaral. Pensa em escrever mais minisséries?

WALTHER NEGRÃO - Escrever minisséries é o sonho da maioria dos autores: um produto menor, com grande visibilidade e chance de experimentação. Então, claro que penso em voltar a escrever minissérie.


Minisséries "O Sorriso do Lagarto" (1991) e "A Casa das Sete Mulheres" (2003)

SUPER TV E MAIS! -  Você é um dos autores que mais escreveu telenovelas no Brasil. É difícil depois de tantos anos de carreira continuar se renovando sempre? Já teve vontade de se aposentar alguma vez ou quer continuar escrevendo sempre?

WALTHER NEGRÃO - Dos autores vivos sou mesmo o que mais novelas escreveu. Não me preocupo em renovar, mas em contar uma boa história. E vou continuar escrevendo até quando deixarem. Pra isso me baseio muito no exemplo de meu pai, que se aposentou ainda jovem e morreu pouco tempo depois.


SUPER TV E MAIS! -  Quais são os seus trabalhos preferidos na televisão, os que te deram mais alegria? Há algum com o qual você não tenha ficado plenamente satisfeito?

WALTHER NEGRÃO - Meu trabalho preferido, sem dúvida, é “O Primeiro Amor” (1972), a novela onde surgiram Shazam e Xerife, personagens que depois ganharam um seriado. Tenho carinho especial por “Cinderela 77” (1977), novela em parceira com meu amigo e mestre Chico de Assis, na TV Tupi. Além dessas “O Direito de Amar” (1987), “Pão-Pão, Beijo-Beijo” (1983), “Fera Radical” (1988) e “Top Model” (1989) em parceria com Antonio Calmon, também moram no meu coração. Não gostei de ter feito “Super-Manoela” (1974), na TV Globo. Hoje a citam como sucesso, talvez pelo titulo forte e interessante, no entanto foi um fracasso!


Fotos das novelas "O Primeiro Amor" (1972), "Cinderela 77" (1977)...

..."Super-Manoela" (1974) e "Pão-Pão Beijo-Beijo" (1983)

SUPER TV E MAIS! -  Como você se sentiu quando "Araguaia" foi indicada ao Emmy de melhor novela? Esperava que isso fosse acontecer?

WALTHER NEGRÃO - Me senti surpreso. Quase nunca ganho prêmios, nem mesmo sou indicado para eles. E, desses poucos, o prêmio que mais me honrou foi o de autor-revelação por minha primeira peça, “Quadro Sem Moldura”, de 1959. Um prêmio dado pela jornalista Liba Friedman que me chegou quando eu tinha apenas 18 anos de idade.


"Direito de Amar" (1987), "Fera Radical" (1988)...

..."Top Model" (1989) e "Araguaia" (2010)

SUPER TV E MAIS! -  Como você analisa a sua trajetória de novelista até hoje?

WALTHER NEGRÃO - Analiso como um constante aprendizado. Nem mesmo sei se já sou um novelista pronto. Agora mesmo aprendi muito com o jovem João Emanuel Carneiro ao assistir “Avenida Brasil”. Sua ousadia e sua capacidade de prender o publico são exemplares!

SUPER TV E MAIS! -  Como você define "Flor do Caribe" e quais as suas expectativas para essa nova novela, que estreia em março, no horário das seis?

WALTHER NEGRÃO - A expectativa é muito boa, estou encantado com o elenco, com a direção, com o diretor de fotografia, com a equipe toda. E diria que é uma novela “solar”, com belo visual, grandes atores e muita... muita gente bonita.


Grazi e Henri viverão o casal principal de "Flor do Caribe", próxima novela das seis

SUPER TV E MAIS! - Grazi Massafera e Henri Castelli serão os protagonistas Ester e Cassiano. Você pensou nos dois desde o início para a novela? 

WALTHER NEGRÃO - Sempre que puder pensarei nesses dois. o Henri estava disponível e foi fácil convencê-lo a participar. Já a Grazi, tinha dado à luz sua linda Sofia, achei que ia preferir curtir a filhota. Mas – pra sorte nossa – ela leu a sinopse e aceitou na hora. Muito bom voltar a trabalhar com a Grazi depois do maravilhoso trabalho que ela fez em minha novela “Desejo Proibido” (2007).


Henri Castelli (Cassiano), Grazi Massafera (Ester) e Igor Rickli (o vilão Alberto), gravam cenas da novela em Natal, Rio Grande do Norte

SUPER TV E MAIS! -  Em "Flor do Caribe" Suzana Pires, que participou de "Araguaia" como atriz, fará sua estreia como colaboradora. Como tem sido trabalhar com ela?

WALTHER NEGRÃO - Não gosto da palavra “colaborador”. A equipe cria junto, briga pelo melhor sempre. Estamos em pé de igualdade na hora da criação. E, mesmo sendo nova na área telenovela, Suzana traz uma sólida bagagem de escrevinhadora para teatro e para programas de humor. É a mais animada do time, que conta ainda com Julio Fischer, Vinicius Vianna, Fausto Galvão e Alessandro Marson. cada um, a seu modo, acrescenta muito ao trabalho.

SUPER TV E MAIS! -  Classificação indicativa: ela atrapalha a liberdade de criação dos autores (principalmente numa novela das seis) ou você não enfrenta nenhum tipo de dificuldade com isso?

WALTHER NEGRÃO - Para quem encarou a censura durante tantos anos da ditadura militar, essa classificação é brincadeira de criança.


Negrão e a talentosa atriz e roteirista Suzana Pires, que está na equipe de autores de "Flor do Caribe"

SUPER TV E MAIS! -  Em época de internet e TV por assinatura ficou mais difícil segurar o público em frente à TV? Como você lida com essa questão da audiência?

WALTHER NEGRÃO - Quem escreve novela das seis sempre enfrentou dificuldade de segurar o publico diante da TV. Nesse horário, além dos novos interesses de hoje, sempre encaramos um público flutuante pela casa. Gente que sequer senta para prestar atenção à novela. Este é bem mais difícil de conquistar do que aquele público que janta e relaxa diante da TV enquanto faz a digestão antes de ir pra cama.

SUPER TV E MAIS! -  Muito obrigado pela entrevista, Walther. Para terminar, deixe seu convite para o público ficar de olho em "Flor do Caribe"!

WALTHER NEGRÃO - Que seja: espero vocês, internautas. Espero principalmente pelos seus comentários que sempre nos sinalizam quando estamos acertando ou errando.