Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Walther Negrão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Walther Negrão. Mostrar todas as postagens

sábado, 9 de março de 2013

ESPECIAL FLOR DO CARIBE: ROMANCE E AVENTURA NA NOVA NOVELA DAS SEIS


Nesta segunda, 11 de março, estreia na Globo a nova novela das seis. De autoria de Walther Negrão, "Flor do Caribe" promete trazer para a telinha as belezas do Rio Grande do Norte, que será palco de uma grande história de amor. A história da novela se passa na fictícia Vila dos Ventos. Com direção geral de Jaime Monjardim, "Flor do Caribe" também teve algumas cenas gravadas na Guatemala e promete ser uma história solar, com muito romance, aventura, comédia e todos os ingredientes dos bons folhetins.

Palavras do próprio autor Walther Negrão sobre "Flor do Caribe": "Dessa vez o ponto de partida não foi a trama em si, mas a ideia de fazer uma novela solar, com apelo de belas paisagens, especialmente as praias do Nordeste". O autor diz ainda que o público pode esperar muita emoção e aventura nessa nova novela: "Eu e minha equipe estamos muito confiantes. Percebo que quando tem essa paixão no trabalho é que estamos no caminho certo. Tomara que o público também seja conquistado por ‘Flor do Caribe’!"

Vamos saber mais sobre a história de "Flor do Caribe"?


A HISTÓRIA


A guia turística Ester (Grazi Massafera) e o piloto da aeronáutica Cassiano (Henri Castelli) são apaixonados desde a adolescência. Os dois vivem um grande amor na linda Vila dos Ventos, no Rio Grande do Norte. Tudo parece estar perfeito e os dois planejam até se casar, quando Alberto (Ígor Rickli) surge na vida deles para atrapalhar tudo.

Alberto é neto do poderoso empresário Dionísio Albuquerque (Sérgio Mamberti) e amigo de infância de Ester e Cassiano. Após anos afastado de Vila dos Ventos, Alberto volta para assumir os negócios da família e reencontra os dois. O momento é carregado de alegria, emoção e lembranças da infância passada pelo trio. E, por considerar Alberto como irmão, Cassiano nem percebe que o amigo é doido por Ester e não vai sossegar enquanto não separá-los.

O primeiro passo para concretizar seu plano é aceitar assumir a presidência do Grupo Albuquerque, um rico conglomerado que possui salinas, minas de diamante e de tungstênio, a pedido de seu avô Dionísio. Ao saber do problema com uma remessa de diamantes para o Caribe, Alberto enxerga a oportunidade perfeita para se livrar de Cassiano.

O amor de Ester e Cassiano será atrapalhado pelo malvado Alberto

Para Alberto é simples pedir para Cassiano entregar um carregamento de diamantes ao mafioso Dom Rafael (César Troncoso) no Caribe. Sem desconfiar do golpe que está sendo planejado, Cassiano aceita a missão. Afinal de contas, como negar um favor para seu melhor amigo?

Ao chegar ao Caribe, o plano de Alberto se desenrola como previsto pelo empresário. Quando a entrega dos diamantes é feita, Dom Rafael descobre que são pedras falsas e o piloto é feito prisioneiro na fazenda. Alberto sabe que Cassiano jamais conseguirá fugir do domínio do mafioso, feito impossível até hoje. E assim acredita que será uma questão de tempo para conquistar Ester.

Enquanto isso, preso numa cela, Cassiano faz vários questionamentos: como seu melhor amigo pode ter feito isso com ele? Por que Alberto fez isso? E Ester, o que será dela? São perguntas que não saem de sua cabeça, mas se transformam no combustível necessário para fazê-lo suportar a prisão e planejar sua fuga.

Para ajudá-lo nesta empreitada, o piloto descobre em Duque (Jean Pierre Noher) – um falsário e companheiro de carceragem – o amigo que precisava. A partir daí, os dois unem suas forças e habilidades para encontrar uma saída. Uma operação arriscada de fuga e perseguição, com direito a capangas de Dom Rafael no encalço, mas também com a ajuda mais do que especial da malandra profissional Amaralina (Sthefany Brito) e do abrigo grato de Cristal (Moro Anghileri).

PRINCIPAIS PERSONAGENS


CASSIANO (Henri Castelli) - Um homem atraente, íntegro e de personalidade forte. De origem humilde, criado em meio a muitas privações, mas que, a custa de um grande esforço e perseverança, conseguiu realizar o seu sonho de menino e ingressar na Aeronáutica onde é um dos melhores pilotos. Bom filho, bom irmão, seu objetivo maior é casar com Ester (Grazi Massafera) e dar a ela uma vida à altura dos sonhos que os dois construíram ao longo dos anos.

ESTER (Grazi Massafera) - Filha da cabocla Lindaura (Ângela Viera) e do judeu holandês Samuel (Juca de Oliveira). Mulher romântica, que chama a atenção pela beleza e pela força de sua personalidade, no início da história ganha seu sustento conduzindo turistas em passeios de bugue pelas praias do lugar. Ama a atividade que exerce, debaixo do sol escaldante e travando contato com pessoas e culturas de todas as partes do mundo. A felicidade, para ela, tem o sabor de um bem já conquistado, e cujo principal ingrediente é a perspectiva de seu casamento próximo com Cassiano (Henri Castelli), por quem é loucamente apaixonada desde a adolescência, e com quem pretende ter um casal de filhos. O que ela não imagina é que seus planos de felicidade estão prestes a sofrer um grande abalo – Cassiano desaparece misteriosamente no Caribe. Um golpe que mudará completamente o rumo de sua vida e fará dela uma nova mulher.

ALBERTO (Igor Rickli) - Rico empresário que, no início da história, é alçado pelo avô à posição de presidente do holding da família Albuquerque, cujos negócios incluem a produção/exportação de sal e a mineração de tungstênio e diamantes. Um homem culto, atraente, simpático, de sorriso cativante. Um perfeito cavalheiro no trato social, em especial com as mulheres que gravitam ao seu redor. Toda essa polidez e simpatia, no entanto, são a máscara que esconde a sua verdadeira face: a de um homem frio e inescrupuloso, capaz de cometer as maiores vilanias para conseguir o que quer.

SAMUEL (Juca de Oliveira) - Pai de Ester (Grazi Massafera), marido de Lindaura (Ângela Vieira). Nascido na Holanda, de família judia, aos  cinco anos foi separado dos pais. Interessado desde cedo pela arte de sua família, o design e fabricação de joias. Inquieto e aventureiro, chegou ao Rio Grande do Norte para comprar as mais belas pedras do mundo. Samuel encontrou não só as belas pedras por aqui, mas também a bela cabocla da região, a jovem Lindaura. Sonha ver, Ester um dia seguindo os seus passos de joalheira, pois lhe ensinou a arte das pedras preciosas. Se Samuel acha que já sabe tudo sobre Dionísio (Sérgio Mamberti), está enganado. Ao longo da história, ele descobrirá o maior segredo de todos e que torna o vínculo e a disputa desses dois homens maior do que poderiam imaginar!

DIONÍSIO (Sérgio Mamberti) - Avô de Alberto (Igor Rickli). Quem o vê hoje em dia nem imagina que o simpático e amável velhinho foi no passado um implacável tirano. Enquanto as salinas serviram de fachada para a principal atividade econômica de Dionísio – o tráfico de diamantes – o tungstênio extraído de suas minas teve uma “importância histórica” da qual ele muito se orgulha (embora em segredo).


CRISTAL (Moro Anghileri) – Filha de Dom Rafael (César Troncoso), uma caribenha linda, sensual e de temperamento solar. Embora doce e ostentando um sorriso cativante, é dona de uma personalidade forte e de uma natureza rebelde. Nunca se conformou em viver sob a estreita vigilância do pai, que a trata quase como uma princesa medieval encastelada. Cristal reúne toda a sua coragem e foge da fazenda da família para viver o seu sonho. Sua primeira parada será num bar de uma ilha caribenha onde se apresenta como cantora. É perdidamente apaixonada por Cassiano (Henri Castelli).

DUQUE (Jean Pierre Noher) – Sempre bem vestido para cada ocasião e esbanjando charme de um cavalheiro, Duque é na verdade um velho estelionatário de atuação internacional, com extensa folha corrida. Fala espanhol, francês, "portunhol" e arranha vários outros idiomas quando necessário. Seu currículo lhe garante o respeito tanto de bandidos quanto da polícia. O estelionato, para Duque, é uma arte na qual ele se orgulha de ter alcançado a excelência. Na história, ele será uma espécie de mentor e “anjo da guarda” de Cassiano (Henri Castelli). E quando chegar ao vilarejo vai se tornar um próspero empresário local da área do turismo, que será palco de animadíssimas noites embaladas por música e dança caribenha. Mas não é só a sua vida profissional que Duque mudará no Brasil. Sua vida pessoal também passará por mudanças radicais, pois seu caminho será cruzado por Amaralina (Sthefany Brito), sua verdadeira neta.

VERIDIANA (Laura Cardoso) – Avó de Candinho (José Loreto), Lino (José Henrique Ligabue) e Dadá (Renata Roberta). Neta de cangaceiros, é uma mulher de fibra e uma onça pintada quando se trata de defender suas crias. Guarda, entre seus pertences, uma porção de relíquias do tempo do cangaço, como um óculos quebrado de Lampião, um pente de Maria Bonita e cartucheiras. Criou sozinha os três netos, a família é o seu “bando”, de quem ela exige a obediência devida a uma capitã.


CANDINHO (José Loreto) – Um adulto com alma de criança. Vive num sítio próximo com a avó Veridiana (Laura Cardoso) e os irmãos Lino (José Henrique Ligabue) e Dadá (Renata Roberta). Anda para cima e para baixo com sua cabra Ariana vendendo leite ordenhado na hora, de porta em porta. Um tipo fantasioso, que acredita tanto em anjos como em mula-sem-cabeça e extraterrestres. Tido como “aluado”, vive cercado pelas crianças que adoram ouvir suas histórias cheias de encanto e magia.



NATÁLIA (Daniela Escobar) –
Bióloga e pesquisadora de ponta na área marinha, Natália é uma profissional respeitada tanto no mundo científico como acadêmico, fruto de uma dedicação obsessiva ao trabalho, com o sacrifício voluntário da vida pessoal. O que acabou acarretando o fim de seu casamento. Protótipo da workaholic focada, avessa a tudo o que possa soar como uma digressão, Natália há tempos decidiu que não há lugar, em sua vida, para envolvimentos amorosos. Mas, como o destino nem sempre obedece a planilhas, projeções estatísticas e modelos de comportamento rigidamente traçados, ela será surpreendida ao se descobrir apaixonada por Juliano (Bruno Gissoni), que, além de ser um simples pescador que não faz a menor ideia de quem seja Charles Darwin, é muito mais jovem do que ela.

O QUE ACONTECE NOS PRIMEIROS CAPÍTULOS

Capítulo 01 - 11/03/2013
Lindaura ajuda Samuel, que se sente mal ao ouvir o ruído do avião de caça, pilotado por Cassiano, Ciro, Rodrigo e Amadeu. Alberto não aceita o cargo de presidente do Grupo Albuquerque, deixando frustrado seu avô Dionísio. Cassiano, Ester e Alberto se encontram e relembram o tempo em que eram crianças. Alberto aceita o convite de Olívia para almoçar. Cassiano diz a Alberto que Ester é a mulher de sua vida. Chico não gosta da presença de Alberto em sua casa, e diz a Olívia que ele tem o sangue ruim do avô. Alberto lembra de sua paixão por Ester. Alberto volta atrás e diz a Dionísio que aceita ser presidente do Grupo Albuquerque. Dionísio se sente orgulhoso ao dar ao neto o anel que era de sua esposa e uma medalha que recebeu na época da Segunda Guerra Mundial. Alberto dá o anel de sua avó para Ester.



Capítulo 02 - 12/03/2013
Dionísio não gosta de saber que Alberto deu o anel da avó para Ester. Alberto avisa ao avô que quando chegar a hora vai acabar com o noivado de Ester e Cassiano. Alberto é surpreendido com a greve dos salineiros. Ester esconde de Samuel o anel dado por Alberto. Samuel presenteia Ester com uma aliança de noivado. Ester conta a Lindaura que ficou noiva de Cassiano. Lindaura estranha o fato de Alberto ter dado o anel para Ester. Dom Rafael exige que Alberto entregue os diamantes que ele encomendou a Dionísio. Alberto pede a Cassiano que leve os diamantes para o Caribe, dizendo que é em prol dos salineiros. Ester não gosta de saber que Cassiano vai ao Caribe fazer a entrega dos diamantes. Alberto troca dos diamantes por sal grosso.



Capítulo 03 - 13/03/2013
Alberto coloca os cristais de diamante junto com os cristais de sal, para disfarçar. Dionísio diz que o saco de diamantes deve ser colocado numa pasta, protegida por um código numérico, a ser  revelado somente para Dom Rafael. Chico desconfia das intenções de Alberto. Bibiana mostra a camionete que ela comprou aos filhos. Veridiana conta aos netos que pediu a uma Associação de São Paulo que descubra o paradeiro de Maria Adília. Lindaura mostra para Samuel o anel que Alberto deu para Ester e ele se surpreende ao perceber que o anel se parece com um  anel que sua mãe usava. Candinho e Dadá lamentam a ausência da mãe e o desconhecimento de seu paradeiro. Alberto chama Ester para visitar a velha mina do Grupo Albuquerque. Dom Rafael recebe a valise de Cassiano e avisa ao rapaz que só poderá liberá-lo para o Brasil depois que conferir os diamantes.

- Clique aqui para ler os resumos dos outros capítulos da semana;

- Clique aqui para ler ou reler a entrevista exclusiva do autor Walther Negrão aqui no blog.

Agora é só ficar de olho nas emoções de "Flor do Caribe"!




segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

ENTREVISTA EXCLUSIVA - WALTHER NEGRÃO: "NÃO ME PREOCUPO EM RENOVAR, MAS EM CONTAR UMA BOA HISTÓRIA"


Walther Negrão é um dos ícones da TV brasileira. Sua carreira na televisão começou em 1958, quando fazia figuração em tele-peças. Em 1959 escreveu sua primeira tele-peça e não parou mais. Virou autor de novelas ainda na década de 1960 e começou  a fazer ainda mais sucesso ao escrever com Geraldo Vietri as clássicas novelas "Antonio Maria" (1968) e "Nino, o Italianinho" (1969). Walther está há muitos anos na Globo e já passou por emissoras como Tupi, Record, Bandeirantes e Cultura. Ele é o segundo autor que mais escreveu novelas no Brasil (entre novelas-solo e trabalhos de co-autoria e supervisão foram quase 40) e perde apenas para Ivani Ribeiro. Entre os grandes sucessos de Walther Negrão estão novelas que marcaram a história da TV, como "O primeiro Amor" (1972), "Pão-Pão Beijo-Beijo" (1983), "Livre Para Voar" (1985), "Despedida de Solteiro" (1992) e muitas outras. Atualmente ele escreve "Flor do Caribe", a próxima novela das seis, que estreia em março. Nessa entrevista exclusiva para o blog, Walther relembra alguns momentos de sua vasta carreira, revela que não pretende parar de escrever nunca, elege seus trabalhos preferidos (e um que ele não gostou tanto) e fala, claro, sobre sua nova novela. Me sinto honrado de publicar essa entrevista com esse grande autor e tenho certeza que todos vocês vão gostar muito. Confiram a entrevista:

SUPER TV E MAIS! - Você é jornalista e começou na televisão fazendo pequenas pontas como ator no "Grande Teatro Tupi", em 1958. Como foi a sua trajetória desde a época em que trabalhava como jornalista até chegar à televisão? Era algo que você já planejava?

WALTHER NEGRÃO - Na verdade, eu era figurante na TV Tupi em 1958. Mas fui fazer teatro como ator e conheci algumas pessoas que me deram força: os diretores Ademar Guerra, Antunes Filho e o ator Armando Bogus. Com o apoio deles escrevi minha primeira tele-peça para o grande teatro tupi, que se chamava “Quadro Sem Moldura”. Foi exibida em dezembro de 1959 e dali em diante não parei mais de escrever para TV. Uma curiosidade: nessa minha primeira peça estreou na TV de São Paulo um grande ator e desde então um grande amigo, o Francisco Cuoco!


SUPER TV E MAIS! -  Você colaborou com Geraldo Vietri nas novelas "Antonio Maria" (1968) e "Nino, o Italianinho" (1969). Depois finalizou "A Cabana do Pai Tomás" (1969) e logo depois escreveu "A Próxima Atração" (1970), sua primeira novela-solo na Globo. Você já imaginava que fosse virar autor de novelas? Como foi o convite para escrever novelas?

WALTHER NEGRÃO - Naquela época não existia a figura do “colaborador”, apenas do “parceiro” ou “co-autor”. Não me considero “co-autor” de "Antonio Maria" porque entrei para escrever já no capítulo 30. Mas em “Nino, o Italianinho” participei desde o inicio e me sinto à vontade para dizer que sou também autor da novela. Por meu trabalho em “Antonio Maria”, Sergio Cardoso me pediu para terminar a novela “A Cabana do Pai Tomás” na Globo. Escrevi apenas os últimos 19 capítulos e fui chamado em seguida para fazer “A Próxima Atração”. Escrever novelas foi o meu caminho natural quando elas apareceram e os teleteatros sumiram da TV.


"Antonio Maria" (1968), "Nino, o Italianinho" (1969) e "A Próxima Atração" (1970)

SUPER TV E MAIS! -  Em novelas como "As Três Marias" (1980) e "O Amor é Nosso" (1981), que não eram de sua autoria, você foi chamado para reformulá-las por causa da baixa audiência. É difícil entrar na novela de outros autores e fazer mudanças nas histórias? Quais as principais dificuldades que você teve?

WALTHER NEGRÃO - Desde “A Cabana do Pai Tomás” não parei mais de ser chamado para botar nos trilhos algumas novelas que apresentavam problemas. Usava-se, então, uma expressão americana pra essa função: “play-doctor”. Mas eu preferia me intitular “meia-sola”, numa referência aos sapateiros que fazem reformas. Até que o Chico Anísio me botou um apelido que me honra muito: “Negrão do pastoreio”. Dificuldades nunca encontrei, porque pior do que estava não podia ficar...


"A Cabana do Pai Tomás" (1969), "As Três Marias" (1980) e "O Amor é Nosso" (1981): novelas que contaram com o reforço de Negrão

SUPER TV E MAIS! -  Há muitas diferenças entre escrever uma novela das seis, sete ou das oito? Você, que já escreveu para os três horários tem preferência por algum deles? 

WALTHER NEGRÃO - Minha preferência hoje é pelo horário das seis. E são três as razões pra isso: trabalha-se muito menos porque são mais curtas, a cobrança e a responsabilidade são menores e ganha-se a mesma coisa.

SUPER TV E MAIS! -  "Cavalo de Aço" (1973) foi sua única novela das oito até hoje. As outras foram exibidas nos horários das seis e sete. Você já teve vontade de escrever novamente para esse horário em virtude da facilidade de abordar assuntos polêmicos com mais liberdade?

WALTHER NEGRÃO - Tenho trauma com novela das oito, desde que fiz “Cavalo de Aço”. Apesar de ter sido um sucesso gratificante, sofri muito com a censura da época. Fui obrigado a mudar o rumo da história cinco vezes em função disso. Hoje, talvez por ser um desafio maior, prefiro escrever para as 18 hs.


Tarcísio Meira e Betty Faria em "Cavalo de Aço" (1973)

SUPER TV E MAIS! -  Você é autor de minisséries de sucesso, como "O Sorriso do Lagarto" e "A Casa das Sete Mulheres", com Maria Adelaide Amaral. Pensa em escrever mais minisséries?

WALTHER NEGRÃO - Escrever minisséries é o sonho da maioria dos autores: um produto menor, com grande visibilidade e chance de experimentação. Então, claro que penso em voltar a escrever minissérie.


Minisséries "O Sorriso do Lagarto" (1991) e "A Casa das Sete Mulheres" (2003)

SUPER TV E MAIS! -  Você é um dos autores que mais escreveu telenovelas no Brasil. É difícil depois de tantos anos de carreira continuar se renovando sempre? Já teve vontade de se aposentar alguma vez ou quer continuar escrevendo sempre?

WALTHER NEGRÃO - Dos autores vivos sou mesmo o que mais novelas escreveu. Não me preocupo em renovar, mas em contar uma boa história. E vou continuar escrevendo até quando deixarem. Pra isso me baseio muito no exemplo de meu pai, que se aposentou ainda jovem e morreu pouco tempo depois.


SUPER TV E MAIS! -  Quais são os seus trabalhos preferidos na televisão, os que te deram mais alegria? Há algum com o qual você não tenha ficado plenamente satisfeito?

WALTHER NEGRÃO - Meu trabalho preferido, sem dúvida, é “O Primeiro Amor” (1972), a novela onde surgiram Shazam e Xerife, personagens que depois ganharam um seriado. Tenho carinho especial por “Cinderela 77” (1977), novela em parceira com meu amigo e mestre Chico de Assis, na TV Tupi. Além dessas “O Direito de Amar” (1987), “Pão-Pão, Beijo-Beijo” (1983), “Fera Radical” (1988) e “Top Model” (1989) em parceria com Antonio Calmon, também moram no meu coração. Não gostei de ter feito “Super-Manoela” (1974), na TV Globo. Hoje a citam como sucesso, talvez pelo titulo forte e interessante, no entanto foi um fracasso!


Fotos das novelas "O Primeiro Amor" (1972), "Cinderela 77" (1977)...

..."Super-Manoela" (1974) e "Pão-Pão Beijo-Beijo" (1983)

SUPER TV E MAIS! -  Como você se sentiu quando "Araguaia" foi indicada ao Emmy de melhor novela? Esperava que isso fosse acontecer?

WALTHER NEGRÃO - Me senti surpreso. Quase nunca ganho prêmios, nem mesmo sou indicado para eles. E, desses poucos, o prêmio que mais me honrou foi o de autor-revelação por minha primeira peça, “Quadro Sem Moldura”, de 1959. Um prêmio dado pela jornalista Liba Friedman que me chegou quando eu tinha apenas 18 anos de idade.


"Direito de Amar" (1987), "Fera Radical" (1988)...

..."Top Model" (1989) e "Araguaia" (2010)

SUPER TV E MAIS! -  Como você analisa a sua trajetória de novelista até hoje?

WALTHER NEGRÃO - Analiso como um constante aprendizado. Nem mesmo sei se já sou um novelista pronto. Agora mesmo aprendi muito com o jovem João Emanuel Carneiro ao assistir “Avenida Brasil”. Sua ousadia e sua capacidade de prender o publico são exemplares!

SUPER TV E MAIS! -  Como você define "Flor do Caribe" e quais as suas expectativas para essa nova novela, que estreia em março, no horário das seis?

WALTHER NEGRÃO - A expectativa é muito boa, estou encantado com o elenco, com a direção, com o diretor de fotografia, com a equipe toda. E diria que é uma novela “solar”, com belo visual, grandes atores e muita... muita gente bonita.


Grazi e Henri viverão o casal principal de "Flor do Caribe", próxima novela das seis

SUPER TV E MAIS! - Grazi Massafera e Henri Castelli serão os protagonistas Ester e Cassiano. Você pensou nos dois desde o início para a novela? 

WALTHER NEGRÃO - Sempre que puder pensarei nesses dois. o Henri estava disponível e foi fácil convencê-lo a participar. Já a Grazi, tinha dado à luz sua linda Sofia, achei que ia preferir curtir a filhota. Mas – pra sorte nossa – ela leu a sinopse e aceitou na hora. Muito bom voltar a trabalhar com a Grazi depois do maravilhoso trabalho que ela fez em minha novela “Desejo Proibido” (2007).


Henri Castelli (Cassiano), Grazi Massafera (Ester) e Igor Rickli (o vilão Alberto), gravam cenas da novela em Natal, Rio Grande do Norte

SUPER TV E MAIS! -  Em "Flor do Caribe" Suzana Pires, que participou de "Araguaia" como atriz, fará sua estreia como colaboradora. Como tem sido trabalhar com ela?

WALTHER NEGRÃO - Não gosto da palavra “colaborador”. A equipe cria junto, briga pelo melhor sempre. Estamos em pé de igualdade na hora da criação. E, mesmo sendo nova na área telenovela, Suzana traz uma sólida bagagem de escrevinhadora para teatro e para programas de humor. É a mais animada do time, que conta ainda com Julio Fischer, Vinicius Vianna, Fausto Galvão e Alessandro Marson. cada um, a seu modo, acrescenta muito ao trabalho.

SUPER TV E MAIS! -  Classificação indicativa: ela atrapalha a liberdade de criação dos autores (principalmente numa novela das seis) ou você não enfrenta nenhum tipo de dificuldade com isso?

WALTHER NEGRÃO - Para quem encarou a censura durante tantos anos da ditadura militar, essa classificação é brincadeira de criança.


Negrão e a talentosa atriz e roteirista Suzana Pires, que está na equipe de autores de "Flor do Caribe"

SUPER TV E MAIS! -  Em época de internet e TV por assinatura ficou mais difícil segurar o público em frente à TV? Como você lida com essa questão da audiência?

WALTHER NEGRÃO - Quem escreve novela das seis sempre enfrentou dificuldade de segurar o publico diante da TV. Nesse horário, além dos novos interesses de hoje, sempre encaramos um público flutuante pela casa. Gente que sequer senta para prestar atenção à novela. Este é bem mais difícil de conquistar do que aquele público que janta e relaxa diante da TV enquanto faz a digestão antes de ir pra cama.

SUPER TV E MAIS! -  Muito obrigado pela entrevista, Walther. Para terminar, deixe seu convite para o público ficar de olho em "Flor do Caribe"!

WALTHER NEGRÃO - Que seja: espero vocês, internautas. Espero principalmente pelos seus comentários que sempre nos sinalizam quando estamos acertando ou errando.