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domingo, 6 de abril de 2014

SAI "ÁGUA VIVA" E ENTRA "DANCIN' DAYS"


Que delícia foi acompanhar a reprise de "Água Viva"! Exibida na íntegra entre 30 de setembro de 2013 e 05 de abril de 2014 no canal por assinatura Viva, a novela de Gilberto Braga escrita com a colaboração de Manoel Carlos, teve uma ótima repercussão nas redes sociais, mostrando que continua uma novela muito atraente.

A reprise de "Água Viva" serviu para matar as saudades do público nostálgico e para saciar a curiosidade de toda uma nova geração que não conhecia a novela. Era uma das tramas que eu mais tinha vontade de assistir. Adorei "Água Viva" e já a considero uma das melhores novelas que vi. 


É difícil dizer o que foi melhor em "Água Viva": o texto, a direção, o elenco fantástico... A novela é uma das poucas da nossa televisão em que tudo, absolutamente tudo deu certo. Toda a equipe trabalhou numa sintonia perfeita, de modo a criar uma novela de qualidade que foi um sucesso estrondoso! Já escrevi um texto na época da estreia de "Água Viva" (clique aqui para ler) falando de minhas primeiras impressões sobre a novela. Não vou repetir tudo de novo, mas minha opinião continua a mesma. Tinha certeza que a novela era excelente antes mesmo de assisti-la e pude comprovar isso.


"Água Viva" e seus inesquecíveis personagens vão deixar muita saudade: o triângulo Lígia (Betty Faria), Nelson (Reginaldo Faria) e Miguel (Raul Cortez); a delicada orfã Maria Helena (Isabela Garcia); o casal Marcos (Fábio Júnior) e Janete (Lucélia Santos); As trapalhadas da melhor personagem da novela, a louca e divertida Stella Simpson (a SENSACIONAL TÔNIA CARRERO), as maldades de Lourdes (Beatriz Segall); as discussões do casal Márcia (Nathalia do Valle) e Edyr (Cláudio Cavalcanti); o amor de Irene (Eloísa Mafalda) e Marciano (Francisco Dantas), a batalhadora Sueli (Ângela Leal) e muito mais!


E a trilha sonora? É impossível ouvir "Menino do Rio" e não lembrar da abertura da novela, assim como todas as outras músicas nacionais e internacionais que tocaram em "Água Viva" sempre farão aqueles que assistiram à novela lembrarem de seus personagens.



Aproveito para recomendar o livro com a versão romanceada da novela. Adaptado por Leonor Basséres a partir do roteiro original de Gilberto Braga, o livro traz um resumo com os principais acontecimentos de "Água Viva" em 388 páginas, com a reprodução de vários dos ótimos diálogos da trama. Hoje em dia o livro pode ser encontrado na Estante Virtual. Foi lá que comprei o meu. É uma forma de guardar para sempre as lembranças da novela e de matar as saudades. Vale muito a pena ler.



Apesar das saudades de "Água Viva", teremos mais um clássico para assistir, pois sua substituta será "Dancin' Days" (1978) do mesmo autor e outro grande sucesso da nossa teledramaturgia. A partir de segunda, 07 de abril, vamos curtir essa outra grande novela (que tem vários atores de "Água Viva") no Canal Viva, que está de parabéns por nos presentear com tantas novelas inesquecíveis.

Para saber mais sobre "Dancin' Days" clique aqui e entre no site oficial da novela.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

ÁGUA VIVA: UMA DELICIOSA VIAGEM AOS ANOS 1980


Assistir "Água Viva", atual reprise da faixa da meia-noite do Canal Viva, é voltar no tempo. Voltar para 1980, época em que tudo era muito diferente do que é hoje: a moda, a tecnologia, a linguagem, os costumes e a própria estrutura da telenovela.

"Água Viva" é de uma época em que a novela das oito realmente começava às oito (hoje virou novela das nove). Em 1980 o Brasil ainda vivia sob o regime militar, ainda havia Censura e a nossa moeda era o cruzeiro, ou seja, a novela faz parte de um momento histórico muito diferente do que vivemos atualmente. Só isso já é um atrativo para as novas gerações e para os saudosistas que acompanharam a primeira exibição da trama. 

Sueli (Ângela Leal) faz o possível para que Nelson (Reginaldo Faria) reconheça Maria Helena (Isabela Garcia) como filha

Em sua segunda história para o horário das oito, Gilberto Braga enfrentava dois desafios: substituir uma novela que foi ruim de audiência ("Os Gigantes", de Lauro César Muniz) e repetir o sucesso do fenômeno "Dancin' Days" (1978), sua novela anterior. Gilberto criou uma história com todos os ingredientes para fisgar o grande público. 

"Água Viva" é uma novela solar, com uma pegada moderna para 1980, usando tudo o que estava em evidência na época: o topless, o windsurf, a discussão sobre a mulher moderna e independente, entre outros temas. É um registro perfeito de como as coisas eram há mais de trinta anos atrás e isso aumenta ainda mais a sua importância. 


Unindo o melhor dos folhetins a uma trilha sonora espetacular e um tom sofisticado e realista que Gilberto Braga sabe imprimir como ninguém a suas histórias, "Água Viva" foi mais um grande sucesso do autor e serviu para consolidar seu nome definitivamente como um dos maiores novelistas de nossa teledramaturgia. Gilberto ainda contou com a colaboração mais do que luxuosa de Manoel Carlos. Não precisa dizer mais nada: com esses dois juntos, só poderia sair mesmo uma ótima novela.

Os telespectadores de hoje, acostumados a tramas mais ágeis e cheias de ação, certamente estranharão bastante a estrutura de "Água Viva": uma história de ritmo tranquilo, lento mesmo, com cenas longuíssimas. Só para dar um exemplo, no capítulo 3 há uma cena de mais ou menos 12 minutos de duração entre os personagens Marcos (Fábio Júnior) e Lourdes (Beatriz Segall). Cenas como essa, que seriam consideradas uma enrolação nas novelas de hoje em dia, eram normais na época e representavam o ritmo natural das telenovelas daquele tempo.

Lígia (Betty Faria) foi disputada pelos irmãos Nelson (Reginaldo Faria) e Miguel (Raul Cortez)

A novela tem a cara dos anos 80 em todos os aspectos e com seu ritmo lento demais, talvez seria um fracasso se fosse feita nos dias de hoje, mas esse ritmo lento é o maior charme de "Água Viva". As cenas eram melhor exploradas, a densidade dos personagens ficava mais evidente, as situações eram mais bem trabalhadas, sem a preocupação de tornar tudo ágil demais a ponto de às vezes nem entendermos direito o que estamos vendo, ou seja, tudo era mais natural. 

Não estou criticando o ritmo das telenovelas atuais, pois tudo muda ao longo do tempo e com elas não seria diferente. Na época cibernética em que vivemos, as novelas precisaram acompanhar o ritmo ágil das comunicações do mundo globalizado para sobreviver, mas obras como "Água Viva" são atemporais e sempre serão exemplos de boas novelas, independente do ritmo que tenham.

O elenco da novela dispensa comentários. Betty Faria está magnífica como a ambiciosa Lígia. Ângela Leal também dá um show de interpretação como a determinada Sueli. Suas cenas com a linda orfã Maria Helena (brilhantemente interpretada por uma Isabela Garcia ainda criança) são emocionantes. Reginaldo Faria (Nelson), Raul Cortez (Miguel), Lucélia Santos (Janete), Tônia Carrero (Stela) e Beatriz Segall (Lourdes) são os outros destaques do elenco, só para citar alguns.



Também é muito bom ver atores como Gloria Pires (Sandra), Isabela Garcia (Maria Helena), Fábio Júnior (Marcos), Kadu Moliterno (Bruno) e Maria Padilha (Beth), entre outros, novinhos, ainda em início de carreira. Além disso, podemos matar as saudades de atores que estão afastados do vídeo, como Heloísa Mafalda (Irene), Tetê Medina (Luci) e Tamara Taxman (Selma), três excelentes atrizes.


Abertura de "Água Viva"


Enfim, ficar acordado até mais tarde para assistir "Água Viva" todos os dias vale muito a pena. A reprise da novela já é um sucesso. Aliás, todas as novelas exibidas no Viva atualmente (além de "Água Viva" tem "Anjo Mau" e "A Próxima Vítima") são excelentes! 

Torço para que o canal continue apostando em sucessos da década de 1980 e que isso abra caminho para tramas da década de 1970 também. Quanto mais antiga, melhor!



quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

LADO A LADO REAGE E PRESENTEIA O TELESPECTADOR COM ÓTIMAS SEQUÊNCIAS


Desde sua estreia, em setembro do ano passado, "Lado a Lado", dos autores estreantes João Ximenes Braga e Cláudia Lage, é considerada uma boa novela, com uma história interessante e um elenco de qualidade, que está em total sintonia com o texto dos autores. Infelizmente a novela sofreu com a baixa audiência desde o início e ganhou o indesejável título de pior audiência do horário das seis. Muitos são os fatores que podem ter levado a isso: horário de verão, festas de fim de ano, etc. É difícil determinar os motivos que levam uma novela a ser sucesso ou fracasso.

Mas uma coisa que todos que acompanham a novela perceberam desde o início, é que a história tinha um ritmo demasiado lento, com pouco ou nenhum acontecimento em alguns capítulos. Essa falta de acontecimentos, bem como os ganchos fracos e tramas paralelas desinteressantes, fizeram muitos telespectadores reclamarem, mas desde a semana passada "Lado a Lado" reagiu e vem apresentando capítulos movimentados, com ritmo ágil e cheios de revelações. 

Os capítulos dessa quarta e quinta foram os melhores exibidos até agora. Neles, Isabel (Camila Pitanga) finalmente descobriu que seu filho Elias (Cauê Campos) continua vivo e que foi roubado por Constância (Patrícia Pillar) ainda bebê, com a cumplicidade de Berenice (Sheron Menezzes) e Zenaide (Ana Carbatti). O resultado disso foram ótimas cenas onde as atrizes brilharam como nunca. Camila Pitanga e Patrícia Pillar dominaram a novela nas sequências em que a verdade sobre o que aconteceu veio à tona. O desempenho das atrizes nesses momentos decisivos foi literalmente de tirar o fôlego, em cenas perfeitas e impactantes, que finalmente tiraram a novela daquele "chove-não-molha". 

Isabel bateu em Constância...

A cena em que Isabel invade a casa de Constância e dá um super-tapa que a vilã merecia há muito tempo, foi PERFEITA! Outras cenas que já entraram para a galeria de melhores da novela: Isabel fazendo Berenice e Zenaide comerem pimenta para pagar as maldades que fizeram com Elias; Isabel humilhando Constância em público durante um evento beneficente e a cena em que Constância revela toda a verdade para o marido, Assunção (Werner Schunemann). Patrícia Pillar brilhou como nunca! Ela consegue transmitir com perfeição os sentimentos dessa mulher terrível que acha que as maldades que faz estão corretas, tudo em nome da "moral e dos bons costumes". Constância já faz parte da galeria de personagens inesquecíveis dessa grande atriz.

A audiência da novela, como não poderia deixar de ser, com todas essas sequências maravilhosas, também reagiu e desde a semana passada, vem subindo gradativamente. O capítulo dessa quarta bateu recorde de audiência, com 25 pontos. Se a novela continuar com esse ritmo até o seu final, com certeza, a audiência continuará boa.

... E esfregou pimenta sem piedade nos olhos da malvada Berenice

João Ximenes Braga e Cláudia Lage deixaram claro desde o início de "Lado a Lado", que são dois autores muito talentosos. Os dois, que contam com a supervisão do mestre Gilberto Braga, infelizmente se acomodaram um pouco durante a novela, pois poderiam ter mexido mais na história e deixado a novela mais ágil e com mais acontecimentos. Embora pareça que a "Lado a Lado" finalmente tenha melhorado o seu ritmo, pode ser tarde para reverter a média geral baixa, mas sem dúvidas, deixará uma boa lembrança em seus telespectadores. É melhor acertar mesmo que seja já na reta final, do que permanecer com uma novela super-lenta até o fim. "Lado a Lado" merece uma audiência melhor, mas para isso a história também precisa ter mais reviravoltas para manter o público de olho no folhetim. 

Independente de audiência, Cláudia e João merecem outras chances como novelistas, pois assim como Lícia Manzo, de "A Vida da Gente", os dois já deixaram claro que sabem criar boas histórias. Vamos torcer para que "Lado a Lado" mantenha esse ritmo até o fim e que a audiência continue ascendente. Vamos ficar de olho na reta final dessa ótima história!



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GABRIELA CUMPRE SUA MISSÃO E TERMINA COMO UMA BOA NOVELA


Chegou ao fim o remake de "Gabriela". A nova adaptação do livro de Jorge Amado foi realizada por Walcyr Carrasco, que fez um bom trabalho e transformou "Gabriela" numa boa novela. A trama foi bem escrita e dirigida e contou com um elenco dos melhores. Uma produção impecável, também merecem elogios em "Gabriela" a belíssima fotografia e a trilha sonora cheia de músicas lindas, que combinaram perfeitamente com o clima da novela.

Apesar de criticada por alguns pelas mudanças que o autor fez na história e no perfil de alguns personagens, "Gabriela" sai do ar com média de 19 pontos, a mesma de "O Astro" (2011) e pode ser considerada uma novela de sucesso. Temos que lembrar que trata-se de uma adaptação do livro e as mudanças são necessárias em virtude das diferenças de formato entre um romance e uma novela.


Gostei muito de "Gabriela". Foi uma novela agradável de assistir do começo ao fim. As mudanças feitas por Walcyr carrasco não comprometeram a essência da obra de Jorge Amado. O autor apimentou mais a história com cenas de nudez e sexo, além de usar alguns palavrões, algo que não foi permitido na primeira versão por causa da Censura, mas que está perfeitamente de acordo com o universo de Jorge Amado, pois quem já leu alguns de seus livros, sabe que o autor usava muito erotismo e uma linguagem mais "pesada" em suas histórias. 

Walcyr Carrasco criou novos núcleos e personagens que não existem no livro, como Dona Doroteia (Laura Cardoso) e Lindinalva (Giovanna Lancellotti). Isso serviu para movimentar mais a novela, porque no livro de Jorge Amado as personagens secundárias têm muito destaque e a história não gira só em torno de Gabriela. Nessa versão Walcyr também acrescentou um personagem que está na obra de Jorge Amado, mas não fez parte da versão de 1975, por causa da Censura: Miss Pirangi (Gero Camilo), que se destacou bastante ao longo da novela.


Curiosamente alguns personagens criados por Walcyr Carrasco chegaram a  despertar mais interesse que os protagonistas Nacib (Humberto Martins) e Gabriela (Juliana Paes) em alguns momentos. A história de amor da sofrida Lindinalva com Juvenal (Marcos Pigossi), por exemplo, conquistou os telespectadores.


E o que dizer de Dona Doroteia? A maravilhosa Laura Cardoso conseguiu transformar a beata na melhor personagem da novela. Com suas fofocas, Dona Doroteia provocou muitos conflitos e movimentou muito a trama. E apesar de suas maldades, a personagem era adorada pelo público e conquistou a todos com seu bordão "Jesus, Maria, José". Apesar de se dizer tão moralista, Dona Doroteia foi quenga no passado e a revelação surpreendeu a todos, com direito a muitas cenas onde Laura Cardoso brilhou como nunca. Desprezada por toda a cidade quando souberam seu segredo, Dona Doroteia acabou sozinha, abandonada por todos. A única que ficou do seu lado foi Gabriela, a quem ela já havia desprezado tanto. A cena em que Gabriela leva comida para Dona Doroteia e diz que está do seu lado, foi uma das mais emocionantes da novela. Clique aqui para ler um post especialmente sobre Dona Doroteia.


Juliana Paes esteve ótima como Gabriela e soube transmitir com perfeição o ar ingênuo e sensual da personagem. Junto com Humberto Martins, ela brilhou em cena e o casal foi muito bem sucedido. Outros atores que se destacaram em "Gabriela" foram Antônio Fagundes (Ramiro), José Wilker (Jesuíno), Chico Diaz (Melk), Mateus Solano (Mundinho), Luísa Valdetaro (Gerusa), Maitê Proença (Sinhazinha) e Leona Cavalli (Zarolha), entre outros. 


Infelizmente devido ao grande número de personagens e à curta duração da novela, muitos atores apareceram pouco. Alguns chegaram a fazer figuração, praticamente. A história de Malvina (Vanessa Giácomo), por exemplo, apesar de ter tido muito destaque, não teve a mesma repercussão da versão de 1975 e a personagem terminou a novela meio apagada. Mas é claro que cada versão é diferente e por isso mesmo não dá para para tomar como base a versão antiga para falar desta. 


Walcyr Carrasco não se repetiu tanto como em outras novelas (não houve torta na cara nem gente jogada no chiqueiro), mas em vários momentos o autor apresentou algumas de suas marcas, como o fato de inserir comédia mesmo em cenas que precisavam ser mais sérias, como o julgamento do Coronel Jesuíno. Esse é o tipo de coisa que pode incomodar os telespectadores mais exigentes, mas ao mesmo tempo dá um pouco mais de leveza à novela. É o estilo do autor e pronto.


Apesar da boa adaptação, um ponto não foi bem explorado nesse remake: a disputa política entre Coronel Ramiro e Mundinho Falcão. Não que política seja um dos meus assuntos preferidos, mas o embate entre Mundinho e Ramiro é um dos maiores destaques do livro de Jorge Amado. No remake os dois foram inimigos durante a novela inteira, mas a briga entre eles foi mais por causa do romance de Mundinho com Gerusa do que pela política, que só se destacou mais no último capítulo, com a vitória de Mundinho nas eleições. Teria sido interessante acompanhar melhor os conflitos entre a antiga sociedade patriarcal representada pelos coronéis e as ideias modernas de igualdade defendidas por Mundinho. A novela só deixou mais a desejar nesse aspecto.

Entre erros e acertos, "Gabriela" despertou o interesse do público e sua repercussão foi muito boa. Durante 77 capítulos nos emocionamos, rimos e nos divertimos muito com essa história, que foi uma homenagem mais do que justa ao centenário do grande e inesquecível Jorge Amado. Para quem não leu o livro ainda, aconselho, pois vale muito a pena (Clique aqui para ler um post sobre o livro e o filme). Sempre vale a pena mergulhar no universo de Jorge Amado, e "Gabriela" foi ótima também por causa disso. Vai deixar saudades.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

SALVE JORGE: PRIMEIROS CAPÍTULOS AGRADAM BASTANTE


Substituir uma novela que foi sucesso de audiência e repercussão como "Avenida Brasil", não é uma tarefa nada fácil. Desde segunda, "Salve Jorge" encara o desafio e está sendo bem sucedida. A novela de Gloria Perez estreou com 35 pontos em São Paulo e 40 no Rio de janeiro. A audiência segue ascendente, sinal de que quem viu o primeiro capítulo continua acompanhando a novela.

Gostei muitos dos primeiros capítulos de "Salve Jorge". É uma novela com o estilo inconfundível de Gloria Perez: uma história de amor, com drama, romance, humor e discussão de temas sociais importantes. Dessa vez a autora aborda o tráfico internacional de pessoas. Até agora isso é o que mais tem chamado a minha atenção. Acho que é um tema importantíssimo para ser colocado em pauta na novela  das 21 horas. É uma oportunidade de tornar mais conhecido esse crime que segundo a própria autora, muitos consideram uma espécie de lenda urbana, mas que movimenta bilhões de dólares por ano. As grandes vilãs que enganam as mulheres com promessas falsas de bons empregos fora do Brasil, são interpretadas por Cláudia Raia, Vera Fischer e Totia Meireles, que estão ótimas em suas personagens. Jéssica (Carolina Dieckman) já caiu no golpe delas e a própria protagonista Morena (Nanda Costa) será vítima do tráfico de mulheres, o que promete chamar a atenção de todos e movimentar muito a novela.

Por falar em Nanda Costa, confesso que me surpreendi com o desempenho dela como Morena. Apesar de achá-la muito bonita e talentosa, tinha minhas dúvidas se ela estaria realmente preparada para protagonizar uma novela tão importante como a das nove, mas até agora Nanda está muito bem, com uma interpretação segura e competente. Ela e Rodrigo Lombardi tem química em cena. Morena e Theo formam um típico casal romântico que se ama, mas enfrentará muitos desafios para ficarem juntos. O casal já conquistou os românticos de plantão e o público já torce por eles.


As cenas da invasão do Morro do Alemão foram bem realistas e muito bem dirigidas. Resgataram um momento importante da história da comunidade. Está sendo interessante conhecer o dia a dia de uma comunidade sem ver a violência como pano de fundo, o que costuma acontecer com a maioria das novelas e filmes ambientados em favelas. 

Estou adorando o núcleo de Dona Leonor (Nicette Bruno), que está maravilhosa, como sempre. Dira Paes, Flávia Alessandra e Giovanna Antonelli são algumas das atrizes que estão ótimas em seus papeis. Mas não estou curtindo muito a atuação de Mariana Rios como Drika. Ela é uma boa atriz, mas com seu sotaque mineiro carregado, é difícil enxergá-la como uma garota carioca.


A ambientação de uma parte da novela na Turquia faz lembrar um pouco outras novelas da autora como "O Clone" e "Caminho das Índias", que também se passavam em outros países. Apesar de preferir as cenas ambientadas no Brasil, estou gostando do núcleo da Turquia e entendo que o tráfico internacional de pessoas exigisse que a novela se passasse também em outro país. "Salve Jorge" até agora deu mais destaque aos núcleos brasileiros, o que já a diferencia muito de "Caminho das Índias" e "O Clone" e que é um ponto positivo para evitar comparações com as outras novelas citadas.

Outro destaque da novela é a boa trilha sonora cheia de músicas inéditas, algumas feitas especialmente para ela, como as de Roberto Carlos e o tema de abertura, cantado por Seu Jorge. Aliás, a abertura é um show à parte.

A novela tem muitos núcleos e personagens e só no desenrolar dos capítulos conheceremos melhor cada um deles. Isso diminui as chances de a novela cair na mesmice, pois são várias histórias acontecendo ao mesmo tempo, histórias para todos os gostos, o que deve despertar ainda mais o interesse dos telespectadores. 

Resta ao público embarcar nessa nova história e curtir as emoções que Gloria Perez nos reserva para os próximos meses. Eu estou gostando muito e a boa audiência dos primeiros capítulos indica que o público também está curtindo. Vamos ficar de olho nos próximos capítulos e torcer para que a novela continue prendendo nossa atenção.

E Você? O que achou dos primeiros capítulos de "Salve Jorge"?


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

AVENIDA BRASIL: O FENÔMENO CHEGA AO FIM


Essa semana chega ao fim uma das novelas de maior repercussão dos últimos anos: "Avenida Brasil", do gênio João Emanuel Carneiro. A novela vai sair do ar com média de 39 pontos de audiência, a mesma da novela anterior, "Fina Estampa", mas sem dúvidas a repercussão de "Avenida Brasil" foi maior e muito mais positiva. Durante os meses em que foi exibida, a novela dominou as redes sociais e as conversas dos telespectadores, que discutiam os próximos acontecimentos da história. "Avenida Brasil" mobilizou o público e mexeu com as emoções dos telespectadores de uma maneira que só grandes clássicos da nossa teledramaturgia, como "Roque Santeiro" (1985) e "Vale Tudo" (1988) fizeram.  A novela se transformou indiscutivelmente num fenômeno que conquistou a todos e consagrou definitivamente João Emanuel Carneiro como o melhor novelista da atualidade.

Antes mesmo do início de "Avenida Brasil" afirmei aqui no blog que tinha certeza que João Emanuel Carneiro mais uma vez nos presentearia com uma ótima história. E não me enganei, pois "Avenida Brasil" chega ao final como o maior sucesso de repercussão e crítica do autor. É claro que nem tudo foi perfeito na novela. Eu mesmo reclamei uma vez aqui no blog e mesmo os maiores fãs da novela não puderam deixar de notar que "Avenida Brasil" passou por uma fase chata que durou mais ou menos 30 capítulos, onde a trama principal ficou parada e as tramas paralelas passaram a andar em círculos, com muitos acontecimentos repetitivos. Mas hoje reconheço que mesmo as melhores novelas costumam passar por uma fase mais devagar e isso não diminui em nada a qualidade da história que está sendo contada.


Depois do capítulo 150, quando entrou na reta final, "Avenida Brasil" voltou a apresentar um ritmo emocionante, cheio de revelações e acontecimentos eletrizantes. A vingança de Nina perdeu o sentido, Carminha demorou demais para ser desmascarada e houve muitos acontecimentos inverossímeis, mas nem assim o público perdeu o interesse pela novela, que tem batido recordes de audiência. Apesar de ter algumas falhas, basta analisar bem "Avenida Brasil" para concluir que os momentos bons foram em número muito maior e que o saldo da novela não poderia ser mais positivo. Os ótimos capítulos dessa reta final compensam a fase morna pela qual a novela passou e os recordes de audiência comprovam a paixão que a novela despertou no público.

Muitos foram os destaques de "Avenida Brasil". A guerra entre Nina e Carminha foi o que movimentou mais a trama e garantiu ótimos desempenhos das atrizes Débora Falabella e Adriana Esteves. Na pele da vingativa Nina, Débora despertou os mais diferentes tipos de sentimentos no público, que ficou em dúvida em vários momentos se torcia ou não pela protagonista. E Adriana com sua interpretação espetacular, transformou Carminha numa das maiores vilãs das telenovelas brasileiras.


Além de Débora e Adriana, destaco a interpretação sensível de Murilo Benício como o ingênuo Tufão e a atuação de Marcello Novaes em seu melhor personagem na TV, o vilão Max. Aliás, a família de Tufão garantiu alguns dos momentos mais divertidos da novela, com destaque para os ótimos desempenhos de Eliane Giardini, Letícia Isnard, Juliano Cazarré e das atrizes Cláudia Missura e Cláudia Protássio, que brilharam como as empregadas Janaína e Zezé. 


Ísis Valverde fez de Suellen, uma das melhores personagens da novela e Fabíula Nascimento em sua primeira novela, esteve ótima como Olenka, numa boa parceria com Heloísa Perissé. Vera Holtz e José de Abreu também estiveram ótimos, assim como Betty Faria, que entrou na metade da novela, no papel da divertida Pilar, sogra de Cadinho (Alexandre Borges). Muitos criticaram o núcleo de Cadinho e suas três mulheres, Verônica (Débora Bloch), Noêmia (Camila Morgado) e Aléxia (Carolina Ferraz) e só passaram a gostar quando eles se mudaram para o subúrbio, mas eu sempre me diverti muito com esse núcleo e gostei desde o início da novela.


Entre os momentos inesquecíveis e antológicos de "Avenida Brasil", destacam-se algumas cenas: Rita (Mel Maia) sendo abandonada no lixão; Carminha enterrando Nina viva; A família de Tufão na estrada; Carminha bêbada no lixão; Carminha se despedindo de Max antes de afundar o barco com ele dentro; A maravilhosa sequência em que Carminha é desmascarada pela família de Tufão e a emblemática cena do assassinato de Max. Algumas cenas foram tão bem realizadas que davam a impressão de estarmos assistindo a um filme. A direção e a equipe técnica de "Avenida Brasil" estão de parabéns.

A trilha sonora popular ao extremo da novela, também fez muito sucesso, assim como sua abertura, que é talvez, a que mais caiu na boca do povo até hoje. Quem nunca repetiu o famoso refrão Oi Oi Oi? E o efeito de congelamento no final dos capítulos? É sem dúvida o mais famoso efeito de encerramento de capítulos de nossas telenovelas. Esse efeito causou tanto frisson, que todo mundo passou a congelar suas fotos nas redes sociais.


Concluindo: tudo o que se refere à "Avenida Brasil" transformou-se merecidamente em fenômeno. João Emanuel Carneiro usou toda a sua habilidade como escritor para despertar o interesse do público e criou uma novela antológica que vai entrar para a história da teledramaturgia e deixará muitas saudades em quem teve o privilégio de acompanhá-la.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O ASTRO CONCORRE AO EMMY COMO MELHOR NOVELA!


Fiquei muito feliz ao saber que "O Astro", remake da obra de Janete Clair, escrito pelo querido Alcides Nogueira em parceria com Geraldo Carneiro e com a colaboração de Vítor de Oliveira e Tarcísio Lara Puiati, foi indicada ao Emmy Awards na categoria Melhor Novela. Com direção de núcleo de Roberto Talma e direção geral de Mauro Mendonça Filho, "O Astro" contou com um grande elenco, que incluía atores veteranos como Regina Duarte, Daniel Filho, Francisco Cuoco, Rosamaria Murtinho e talentos da nova geração como Rodrigo Lombardi, Alinne Moraes, Thiago Fragoso e Carolina Ferraz.

A indicação de "O Astro" ao prêmio que  é considerado o Oscar da televisão, é mais do que merecida. Um reconhecimento ao trabalho dos autores e de toda a equipe da novela, que a transformaram num dos grandes destaques de 2011.

"O Astro" inaugurou o horário das 23 horas da Globo para novelas. Teve 64 capítulos e fez bastante sucesso de público e crítica. Foi muito elogiado o ritmo eletrizante da novela, sempre cheia de acontecimentos, deixando um gosto de quero mais em todos os capítulos. É claro que o número reduzido de capítulos ajudou a dar esse ritmo acelerado aos acontecimentos, mas o mérito de transformar a novela numa trama tão envolvente é do autor Alcides Nogueira e de sua equipe de roteiristas, aliados claro, ao ótimo elenco e direção.


Escrever a segunda versão de uma novela clássica como "O Astro" é um desafio grande e uma responsabilidade enorme, pois sempre surgirão comparações com a primeira versão e as chances de ser criticado são muito grandes, mas Alcides e sua equipe aceitaram o desafio sem medo de ousar e fizeram uma novela de grande qualidade, dando uma nova cara e um tom totalmente atual a uma história escrita há mais de 30 anos.

Em entrevista ao blog em abril deste ano, Alcides Nogueira disse o seguinte sobre o convite para escrever a nova versão de "O Astro" e sobre o prazer que teve ao trabalhar com uma equipe tão boa: "Foi um presente que o Roberto Talma deu ao Geraldo Carneiro e a mim. Sempre quis trabalhar com Talma, que é uma das pessoas que fazem a diferença em nosssa televisão. Já tinha sido parceiro de Geraldo, quando fizemos, com Maria Adelaide Amaral, o JK. Geraldo e eu trafegamos por universos muito parecidos. Fora ser uma pessoa maravilhosa. É um privilégio estar com ele. Nós dois contamos com a colaboração preciosa de Tarcísio Lara Puiati e Vitor Oliveira, dois jovens autores de muito talento. A direção-geral foi do Mauro Mendonça Filho, com quem já tinha trabalhado em Força de um Desejo. Estava tudo em família. Fora o elenco, de primeiríssima qualidade. Nem vou citar nomes, com medo de omissões, o que seria muito desagradável. Mas foi um dream-team! E o mais importante: nós estávamos fazendo uma nova leitura de uma das mais emblemáticas novelas de Janete. Foi um desafio... mas instigante. E eu gosto disso!".

O autor também falou das mudanças que realizou no remake: "A Globo, desde o início, deu toda a liberdade para que Geraldo e eu mexêssemos na história. E nós mexemos pra valer! Conservamos os pilares da história da Janete e modificamos personagens e tramas, para que a história não ficasse anacrônica. E, sem dúvida, os 64 capítulos ajudaram - muito - a agilizar a trama, eliminando as gorduras."

Assim como na primeira versão, o assassinato de Salomão Hayala (Daniel Filho) movimentou muito a novela e Regina Duarte brilhou na cena do último capítulo onde é revelado que Clô é a assassina do próprio marido. Essa é apenas uma das muitas cenas e momentos inesquecíveis de "O Astro", que sem dúvidas merece ganhar esse grande prêmio! Alguém ainda duvida de que a trama tem grandes chances de levar o Emmy?

Clique aqui aqui para ler ou reler a entrevista com Alcides Nogueira, que foi publicada em duas partes. E clique aqui para ler ou reler a entrevista que o roteirista Vítor de Oliveira, que foi colaborador em "O Astro", concedeu ao blog em março deste ano.

Agora só nos resta aguardar e torcer para que "O Astro" seja a grande vencedora. Que venha o Emmy!



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

PRIMEIROS CAPÍTULOS DE LADO A LADO APRESENTAM UMA BOA NOVELA


Os primeiros capítulos da nova novela das seis "Lado a Lado" apresentaram uma boa história, com uma belíssima fotografia, produção impecável, boas atuações e sintonia afinada entre o elenco. Depois do marasmo que foi a novela anterior "Amor Eterno Amor", nada melhor que uma nova história, com novas possibilidades.

Fica evidente desde os primeiros capítulos que "Lado a Lado" é muito melhor que "Amor Eterno Amor". Os autores João Ximenes Braga e Cláudia Lage resolveram investir num bom e clássico folhetim típico das novelas das seis, com uma história de época leve, cheia de romantismo e drama. Aproveitaram também para  retratar uma época importante da história do nosso país, no início do século XX. Entre as questões abordadas na novela estão a luta de mulheres modernas à frente do seu tempo por liberdade e direitos iguais aos dos homens, formação das primeiras favelas do país e também o início do samba e do futebol no Brasil, duas marcas registradas de nosso país que o tornaram conhecido em todo o mundo.


Bia Seidl, Cássio Gabus Mendes e Patrícia Pillar.

Tantos temas de uma só vez podiam tornar a novela bem didática e um pouco cansativa, como aconteceu em outras novelas que se preocuparam mais com o tema retratado, do que com a história contada. Mas em "Lado a Lado" é evidente a preocupação dos autores em apresentar uma boa história acima de tudo, de modo que os temas abordados por ela funcionam apenas como pano de fundo, ajustando-se perfeitamente e dando suporte à trama. Merece destaque também o fato dos temas mostrados na novela continuarem ainda tão atuais, pois embora tenham conquistado muitos direitos desde a época retratada na novela, as mulheres ainda hoje são desiguais aos homens em muitos aspectos (o salário, por exemplo, que costuma ser menor) e uma discussão sobre esse assunto numa novela é sempre pertinente, sem contar o futebol, samba, capoeira e favelas, que sempre estiveram em evidência. O importante é que os autores continuem contando a história dessa maneira, com esses temas funcionando apenas como suporte, pois de nada adianta uma boa abordagem de um determinado tema sem uma boa história que prenda a atenção do público.

Até agora a história tem um ritmo normal, nem muito ágil e nem muito lento, ou seja, um ritmo bom de acompanhar. O texto da novela também é agradável e os quatro protagonistas estão muito bem, com destaque para as maravilhosas atrizes Camila Pitanga e Marjorie Estiano, que mais uma vez estão fazendo um bom trabalho como as amigas protagonistas Isabel e Laura. Patrícia Pillar já conseguiu se destacar muito com sua Constância, uma ótima vilã de época e completamente diferente da Flora, outra vilã que marcou muito a carreira da atriz. Constância já teve ótimos momentos, como por exemplo na cena em que faz uma chantagem com a bibliotecária Tereza (Susana Ribeiro) para que ela não deixe mais Laura (Marjorie Estiano) trabalhar na biblioteca e quando ofendeu Isabel (Camila Pitanga) na igreja. Muitas cenas boas ainda estão por vir e Constância com certeza ainda proporcionará muitos momentos bons. Outro destaque é a presença da grande atriz Beatriz Segall, que mesmo numa participação pequena, encanta a todos com seu infinito talento. Isabella Garcia teve poucas cenas até agora, mas brilhou em todas elas com sua divertida personagem, a solteirona Celinha.


A vilã Constância já é o maior destaque da novela.

Os autores resolveram ir apresentando os personagens aos poucos, mostrando primeiro os núcleos principais. Ainda há muitos personagens que vão entrar em cena e algumas reviravoltas na vida dos protagonistas. Nem todos os personagens disseram à que vieram ainda, mas isso irá mudar à medida que eles forem ganhando mais destaque. Até agora um dos poucos erros da novela foi não deixar claro já desde o primeiro capítulo qual seria a história principal contada por ela. Conhecemos separadamente Laura e Isabel, duas mulheres independentes e de mundos diferentes, mas as duas só se conheceram no terceiro capítulo. Acho que teria sido melhor as duas se conhecerem no dia de seus casamentos ainda no primeiro capítulo, para apresentar logo ao público qual seria a principal história da novela.

A audiência até agora está bem abaixo da esperada: tem registrado entre 18 e 19 pontos, o que pode ser atribuído entre outras coisas, ao horário político, que antecipa o horário de exibição de todas as novelas. Além do horário político, "Lado a Lado" enfrentará mais um desafio: o temido horário de verão, que costuma prejudicar muito a audiência das novelas das seis. Se até lá a novela não tiver conquistado o público e melhorado seus índices, a situação pode piorar ainda mais.

Mas até agora os autores estão apresentando uma boa novela e estão sabendo conduzir muito bem a história. Resta torcer para que continuem assim e para que a novela continue agradável e tenha uma melhora em seus índices.

Você está gostando de "Lado a Lado"?

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

MAIS UMA RE-REPRISE: DA COR DO PECADO É A PRÓXIMA DO VALE A PENA VER DE NOVO


Depois de duas re-reprises seguidas ("Mulheres de Areia" e "Chocolate com Pimenta") vem mais uma por aí. A Globo já divulgou que a próxima novela do "Vale a Pena Ver de Novo" será "Da Cor do Pecado", primeira novela de João Emanuel Carneiro exibida em 2004 no horário das sete e já reprisada em 2007. 

Ao contrário das muitas novelas que foram especuladas pela imprensa, a emissora escolheu uma que ninguém estava imaginando. Rumores apontam que a primeira opção era "Páginas da Vida" (2006), que  foi vetada mais uma vez pela Censura (é assim que me refiro a essa classificação indicativa), por isso optou-se por "Da Cor do Pecado" outra vez. Além da novela ter sido um grande sucesso tanto na primeira exibição quanto na reprise e de ser a novela brasileira mais exportada até hoje, acredito que o sucesso de "Avenida Brasil" do mesmo autor, ajudou a Globo a decidir-se por reapresentá-la mais uma vez.



Apesar de gostar muito de "Da Cor do Pecado", só posso lamentar essa nova reprise, isso porque a Globo tem muitas novelas em seu arquivo e não precisaria reexibir novelas mais de uma vez. A maioria do público aprovou a re-reprise de "Mulheres de Areia", que tinha sido exibida pela última vez em 1996 e muitas pessoas ainda não conheciam a novela, mas a desaprovação à nova reprise de "Chocolate com Pimenta" foi geral, por fazer tão pouco tempo que a novela tinha sido reapresentada. Muitos já estão protestando contra a re-reprise de "Da Cor do Pecado", mas ainda não dá para saber se a novela fará sucesso novamente ou não. O fato é que "Mulheres de Areia" e "Chocolate com Pimenta" que foram grandes sucessos na primeira reprise, registraram em média 15 pontos na segunda, o que não é ruim, mas também nenhum fenômeno.

 A melhor opção para substituir "Chocolate com Pimenta" seria sem dúvidas, "Cobras & Lagartos" (2006), outro grande sucesso de João Emanuel, mas dizem que a censura acha que a novela possui cenas "inadequadas" para o horário da tarde. Está cada vez mais difícil escolher uma novela para o "Vale a Pena Ver de Novo". Acho um absurdo uma classificação indicativa rígida como essa. Daqui a pouco nem novelas das seis e das sete vão poder reprisar.



Muitos já estão fazendo piada e dizendo que o "Vale a Pena Ver de Novo" deveria passar a se chamar "Vale a Pena Rever de Novo", tal o número de re-reprises. Se a Globo continuar reapresentando tantas novelas mais de uma vez, vai ficar cada vez mais parecida com o SBT, que não se cansa de reexibir sempre as mesmas tramas. 

Acho que muitas outras novelas poderiam ser escolhidas para reprisar, mesmo aquelas que não são consideradas grandes sucessos, como "Meu Bem Querer" (1998), "Pecado Capital" (1998), "Agora é Que São Elas" (2003), "Desejos de Mulher" (2002), "A Lua Me Disse" (2005), etc. Várias novelas que não foram tão bem de Ibope na exibição original, tiveram bastante sucesso na reprise, como "Era Uma Vez..." (1998), "Força de Um Desejo" (1999) e "Coração de Estudante" (2002). Também há muitas novelas mais recentes que ainda não reprisaram, como a já citada "Cobras & Lagartos" e "O Profeta" (2006). Essas duas novelas são perfeitas para reprisar agora!

Até sou a favor de uma re-reprise, quando já faz bastante tempo que a novela foi reapresentada, como foi o caso de "Mulheres de Areia", mas sou totalmente contra reprisarem uma novela que todos reviram há 5 ou 6 anos, como é o caso de "Da Cor do Pecado" e "Chocolate com Pimenta". Essas reprises com intervalos tão pequenos desgastam as novelas e fazem com que o público canse delas, por melhores que sejam e por mais que gostem da novela. Até quando será que vai durar essa onda de re-reprises?

Mas enquanto não escolhem uma reprise inédita, todos teremos que nos acostumar a rever a mesma novela mais de uma vez. Vamos relembrar a história de "Da Cor do pecado"?



A novela conta a história de amor do rico botânico Paco (Reynaldo Gianecchini) e da feirante Preta (Taís Araújo), que se conhecem no Maranhão. Paco é filho do rico empresário Afonso (Lima Duarte), mas não se dá bem com o pai, pois não aprova sua grande ambição. Ele é noivo da ambiciosa Bárbara (Giovanna Antonelli), mas não a ama de verdade. A novela dá uma reviravolta quando Paco é dado como morto e assume a identidade de seu irmão gêmeo Apolo, filho de Edilásia Sardinha (Rosi Campos). Preta vem para o Rio de Janeiro com Raí (Sérgio Malheiros), seu filho com Paco. Ela conhece Apolo e se apaixona por ele, sem nem imaginar que na verdade ele é seu grande amor que ela pensa que está morto. Até que os dois fiquem juntos e felizes, precisam enfrentar muitas armações de Bárbara e de seu marido, o vilão Tony (Guilherme Weber).

"Da Cor do Pecado" está de volta a partir do dia 24 de setembro. O que você acha da nova reprise da novela?