Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Walcyr Carrasco. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Walcyr Carrasco. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

ENTREVISTA EXCLUSIVA - WALCYR CARRASCO: "SÓ ESCREVO UMA HISTÓRIA QUANDO ME APAIXONO POR ELA"


Na semana em que esse blog completa um ano no ar, nada melhor que uma entrevista com um grande autor para comemorar a data. Walcyr Carrasco é atualmente um dos nomes mais importantes das telenovelas brasileiras. Autor de muitas novelas de sucesso, ele tem uma longa trajetória no mundo da TV, teatro e literatura. Formado em jornalismo, Walcyr sempre quis ser escritor. Já trabalhou em jornais e revistas famosos e começou a escrever livros para o público infanto-juvenil ainda na época em que trabalhava como jornalista. O autor já escreveu dezenas de livros e algumas peças de teatro de sucesso, mas foi a TV que o consagrou. Walcyr começou a escrever para a televisão na série "Joana" (1984), que foi apresentada pela Manchete e pelo SBT. Sua primeira novela, "Cortina de Vidro", foi exibida no SBT em 1989 e ele não parou mais. Depois de uma passagem pela Manchete e pelo SBT, o autor foi para a Globo em 2000, onde escreveu várias novelas de sucesso. Entre os grandes sucessos de Wacyr, destacam-se "Xica da Silva" (Manchete, 1996), "Fascinação" (SBT, 1998), "Chocolate Com Pimenta" (2003), "Alma Gêmea" (2005), "Caras & Bocas" (2009) e "Gabriela" (2012), todas na Globo. Atualmente o autor escreve sua primeira novela (ainda sem título definido) para o horário das nove na Globo. Nessa entrevista exclusiva para o "Super TV e Mais!", Walcyr Carrasco relembra grandes sucessos de sua carreira, conta um pouquinho sobre sua nova novela e muito mais! Leiam:

SUPER TV E MAIS! - Você é formado em jornalismo. Como surgiu a sua vontade de ser jornalista e como o jornalismo o ajudou em sua carreira de escritor? 

WALCYR CARRASCO - Sempre tive vontade de ser escritor, desde menino. Conto essa trajetória no livro "Em Busca de um Sonho", publicado pela editora Moderna. 

SUPER TV E MAIS! - Sua primeira novela, "Cortina de Vidro", foi exibida em 1989 no SBT. Como surgiu a televisão na sua vida e quais lembranças você guarda dessa novela? 

WALCYR CARRASCO - Eu sempre gostei muito de televisão, de assistir e pretendia escrever. Comecei com a série independente “Joana” (1984), protagonizada por Regina Duarte. É difícil entrar em televisão e fui aos poucos. “Cortina de Vidro” fez parte dessa trajetória. 



SUPER TV E MAIS! - Ainda no SBT, você escreveu "Fascinação" (1998), que já foi reprisada duas vezes. O que você destacaria dessa novela? 

WALCYR CARRASCO - É uma novela interessante, por ser ousada. Conta de maneira romântica, a história de uma prostituta. Apesar da ousadia do tema, o publico a recebeu como uma história romântica tradicional. 



SUPER TV E MAIS! - Você também passou pela TV Manchete, onde escreveu três minisséries e a famosa "Xica da Silva", uma de suas novelas mais queridas e mais fortes, com muitas cenas de violência e sexo. Qual a importância que "Xica da Silva" teve na sua carreira? 

WALCYR CARRASCO - "Xica da Silva” é um divisor de águas na minha carreira, foi onde me projetei como escritor. E onde soltei aquilo que estava lá dentro, minha criatividade ganhou novo impulso. 


"Xica da Silva" (1996): um dos maiores sucessos da TV Manchete

SUPER TV E MAIS! - Sua estreia na Globo foi na deliciosa novela "O Cravo e a Rosa" (2000), baseada na peça "A Megera Domada" de Shakespeare e escrita em parceria com Mário Teixeira. Como foi o convite para ir para a Globo? 

WALCYR CARRASCO - O falecido diretor Walter Avancini, que fez "Xica da Silva" e foi a maior influência na minha vida sobre como escrever televisão, foi para a Globo. E me convidou a ir para lá. 



SUPER TV E MAIS! - Sua novela seguinte, "A Padroeira" (2001), é uma de minhas preferidas de sua autoria, mas infelizmente não teve a mesma repercussão de "O Cravo e a Rosa". Como foi a experiência de escrever essa novela?

WALCYR CARRASCO - Foi maravilhoso, porque eu sou místico, e escrever sobre Nossa Senhora Aparecida foi uma oportunidade de viver esse lado. 



SUPER TV E MAIS! - "Chocolate Com Pimenta" (2003) e "Alma Gêmea" (2005) foram seus maiores sucessos de audiência até hoje e atingiram índices dignos de novela das nove em pleno horário das seis. Você esperava todo esse sucesso dessas ótimas novelas?

WALCYR CARRASCO - Eu nunca espero ou deixo de esperar pelo sucesso. Escrevo porque amo escrever, eu me apaixono pelas histórias. Acredito que o autor que escreve pensando simplesmente em audiência não terá bom resultado. 

SUPER TV E MAIS! -Apesar de suas novelas das sete terem sido contemporâneas, a maioria de suas novelas até hoje foi de época. Como surgiu a sua paixão pelas histórias de época?

WALCYR CARRASCO - Fiz três anos de faculdade de História na USP. Acho que isso diz tudo, não? 


"Chocolate Com Pimenta" (2003) e "Alma Gêmea" (2005): maiores sucessos de audiência do autor

SUPER TV E MAIS! - O remake de "Gabriela", exibido no ano passado foi um grande sucesso no Brasil e um verdadeiro fenômeno em Portugal. Como foi escrever essa nova versão do clássico de Jorge Amado?

WALCYR CARRASCO - Eu parti diretamente do livro, sem me basear na novela anterior. Li "Gabriela" pela primeira vez mais ou menos aos 12 anos, então Jorge Amado participou da minha formação como autor. Foi maravilhoso poder me relacionar com sua obra de maneira tão profunda, como acontece numa adaptação. 

SUPER TV E MAIS! - É difícil fazer uma adaptação de obra literária? Qual o critério que você usa na hora de realizar algumas mudanças, como por exemplo introduzir novos personagens criados por você, ao mesmo tempo em que tem que respeitar o estilo do autor do livro?

WALCYR CARRASCO - Ah,  eu não sou do tipo que pensa muito a respeito. Vou escrevendo! 


Juliana Paes e Humberto Martins foram os protagonistas da nova versão de "Gabriela" (2012)

SUPER TV E MAIS! - Alguns autores costumam receber críticas por constantes repetições de tipos e situações em suas novelas. Como você encara isso? Há uma preocupação de não se repetir muito ou você não pensa nisso na hora de criar um história?

WALCYR CARRASCO - Todo autor tem seu estilo, os sentimentos e emoções sobre os quais quer falar. Isso acaba levando a repetições. Inclusive os grandes mestres da literatura têm um universo no qual trabalham, sempre. 

SUPER TV E MAIS! - Você também é autor de muitos livros infanto-juvenis de grande sucesso. Como é escrever para esse público tão rico?

WALCYR CARRASCO - Eu comecei escrevendo para esse público, que nunca abandonei. Adoro, é meu lado criança que se expressa no momento de escrever para eles. 



Walcyr já publicou dezenas de livros para o público infanto-juvenil e alguns para adultos

SUPER TV E MAIS! - Você também escreveu peças de teatro de muito sucesso, como "Batom" e "Êxtase".  Há planos para alguma nova peça no momento? 

WALCYR CARRASCO - Olha, tenho muitos planos sim. Minha próxima peça será infantil, "Aprendiz de Feiticeiro". E o Yuri Gofman está adaptando  o livro "Meus Dois Pais", de minha autoria para teatro. Estou confiante que vai ser um belo espetáculo. 

SUPER TV E MAIS! - Você costuma colocar algo seu nos personagens que cria? É difícil se despedir deles quando uma novela chega ao fim?

WALCYR CARRASCO - Sim, sempre coloco algo de meu. E sempre sofro imensamente ao me despedir de meus personagens! 




SUPER TV E MAIS! - A maioria de suas novelas na Globo foi reprisada no "Vale a Pena Ver de Novo". Você costuma acompanhar as reprises de suas novelas?

WALCYR CARRASCO - Eu gostaria muito, mas sempre estou escrevendo alguma coisa nova, nem sempre tenho tempo. 

SUPER TV E MAIS! - Muitas pessoas defendem que as novelas sejam mais curtas e tenham um número menor de personagens. O que você pensa sobre isso?

WALCYR CARRASCO - Eu acho que não existe fórmula para uma novela ser melhor ou pior. As pessoas gostam de fazer teorias, mas o que vale é se o público gosta ou não de uma historia. 



Fotos das novelas das sete "Sete Pecados" (2007), "Caras & Bocas" (2009) e "Morde & Assopra" (2011)

SUPER TV E MAIS! - O que você aconselharia para quem deseja escrever para o teatro, cinema ou televisão?

WALCYR CARRASCO - O  que aconselharia também para um pianista, para um pintor: exercite a profissão. Assim como o pianista ensaia oito horas por dia, escreva todos os dias, mesmo sem perspectiva de publicação ou encenação. 

SUPER TV E MAIS! - Com tantos trabalhos marcantes, você consegue escolher os seus preferidos ou tem carinho igual por todos eles?

WALCYR CARRASCO - Eu não sou de escolher preferidos. Cada trabalho é uma viagem, uma experiência e tiro o melhor dele. 


Walcyr escreveu três minisséries de sucesso na TV Manchete

SUPER TV E MAIS! - Recentemente saiu em vários sites que você pretende voltar a escrever novelas para o horário das seis no futuro, por gostar das histórias ingênuas que pode contar nesse horário. Essa notícia procede?

WALCYR CARRASCO - Eu acho que um autor não deve se fixar num horário, que a mudança de horário estimula a gente a se recriar. Quero sim, escrever uma novela das seis proximamente. 

SUPER TV E MAIS! - Depois de vários sucessos às seis e sete da noite, você está preparando sua primeira novela das nove. Quais são suas expectativas para sua estreia no horário de novelas que é considerado o mais importante da Globo?

WALCYR CARRASCO - Quando eu fiz "Xica da Silva", era a única novela da TV Manchete. Olha só a responsabilidade, estava tudo nas minhas costas e do Avancini.  Eu não me detenho para pensar se um trabalho é mais ou menos importante, porque todos são. A novela das seis joga a bola pra cima na programação. Para mim é tão importante quanto a das nove. 


Paolla Oliveira, Malvino Salvador e Mateus Solano serão os protagonistas da primeira novela das nove de Walcyr Carrasco

SUPER TV E MAIS! - A novela já tem título e data de estreia definidos? O que o público pode esperar dessa sua nova história?

WALCYR CARRASCO - tulo ainda estamos decidindo, estreamos em junho.
O público pode esperar minha entrega absoluta. Só escrevo uma história quando me apaixono por ela. E estou apaixonado por esta nova novela. 

SUPER TV E MAIS! - Para encerrar, agradeço pela entrevista e desejo muito sucesso nessa sua nova jornada. Deixe sua mensagem para os leitores do blog!

WALCYR CARRASCO - Obrigado. Espero que vocês vivam as mesmas emoções que estou vivendo ao escrever esta história! 



segunda-feira, 29 de outubro de 2012

GABRIELA CUMPRE SUA MISSÃO E TERMINA COMO UMA BOA NOVELA


Chegou ao fim o remake de "Gabriela". A nova adaptação do livro de Jorge Amado foi realizada por Walcyr Carrasco, que fez um bom trabalho e transformou "Gabriela" numa boa novela. A trama foi bem escrita e dirigida e contou com um elenco dos melhores. Uma produção impecável, também merecem elogios em "Gabriela" a belíssima fotografia e a trilha sonora cheia de músicas lindas, que combinaram perfeitamente com o clima da novela.

Apesar de criticada por alguns pelas mudanças que o autor fez na história e no perfil de alguns personagens, "Gabriela" sai do ar com média de 19 pontos, a mesma de "O Astro" (2011) e pode ser considerada uma novela de sucesso. Temos que lembrar que trata-se de uma adaptação do livro e as mudanças são necessárias em virtude das diferenças de formato entre um romance e uma novela.


Gostei muito de "Gabriela". Foi uma novela agradável de assistir do começo ao fim. As mudanças feitas por Walcyr carrasco não comprometeram a essência da obra de Jorge Amado. O autor apimentou mais a história com cenas de nudez e sexo, além de usar alguns palavrões, algo que não foi permitido na primeira versão por causa da Censura, mas que está perfeitamente de acordo com o universo de Jorge Amado, pois quem já leu alguns de seus livros, sabe que o autor usava muito erotismo e uma linguagem mais "pesada" em suas histórias. 

Walcyr Carrasco criou novos núcleos e personagens que não existem no livro, como Dona Doroteia (Laura Cardoso) e Lindinalva (Giovanna Lancellotti). Isso serviu para movimentar mais a novela, porque no livro de Jorge Amado as personagens secundárias têm muito destaque e a história não gira só em torno de Gabriela. Nessa versão Walcyr também acrescentou um personagem que está na obra de Jorge Amado, mas não fez parte da versão de 1975, por causa da Censura: Miss Pirangi (Gero Camilo), que se destacou bastante ao longo da novela.


Curiosamente alguns personagens criados por Walcyr Carrasco chegaram a  despertar mais interesse que os protagonistas Nacib (Humberto Martins) e Gabriela (Juliana Paes) em alguns momentos. A história de amor da sofrida Lindinalva com Juvenal (Marcos Pigossi), por exemplo, conquistou os telespectadores.


E o que dizer de Dona Doroteia? A maravilhosa Laura Cardoso conseguiu transformar a beata na melhor personagem da novela. Com suas fofocas, Dona Doroteia provocou muitos conflitos e movimentou muito a trama. E apesar de suas maldades, a personagem era adorada pelo público e conquistou a todos com seu bordão "Jesus, Maria, José". Apesar de se dizer tão moralista, Dona Doroteia foi quenga no passado e a revelação surpreendeu a todos, com direito a muitas cenas onde Laura Cardoso brilhou como nunca. Desprezada por toda a cidade quando souberam seu segredo, Dona Doroteia acabou sozinha, abandonada por todos. A única que ficou do seu lado foi Gabriela, a quem ela já havia desprezado tanto. A cena em que Gabriela leva comida para Dona Doroteia e diz que está do seu lado, foi uma das mais emocionantes da novela. Clique aqui para ler um post especialmente sobre Dona Doroteia.


Juliana Paes esteve ótima como Gabriela e soube transmitir com perfeição o ar ingênuo e sensual da personagem. Junto com Humberto Martins, ela brilhou em cena e o casal foi muito bem sucedido. Outros atores que se destacaram em "Gabriela" foram Antônio Fagundes (Ramiro), José Wilker (Jesuíno), Chico Diaz (Melk), Mateus Solano (Mundinho), Luísa Valdetaro (Gerusa), Maitê Proença (Sinhazinha) e Leona Cavalli (Zarolha), entre outros. 


Infelizmente devido ao grande número de personagens e à curta duração da novela, muitos atores apareceram pouco. Alguns chegaram a fazer figuração, praticamente. A história de Malvina (Vanessa Giácomo), por exemplo, apesar de ter tido muito destaque, não teve a mesma repercussão da versão de 1975 e a personagem terminou a novela meio apagada. Mas é claro que cada versão é diferente e por isso mesmo não dá para para tomar como base a versão antiga para falar desta. 


Walcyr Carrasco não se repetiu tanto como em outras novelas (não houve torta na cara nem gente jogada no chiqueiro), mas em vários momentos o autor apresentou algumas de suas marcas, como o fato de inserir comédia mesmo em cenas que precisavam ser mais sérias, como o julgamento do Coronel Jesuíno. Esse é o tipo de coisa que pode incomodar os telespectadores mais exigentes, mas ao mesmo tempo dá um pouco mais de leveza à novela. É o estilo do autor e pronto.


Apesar da boa adaptação, um ponto não foi bem explorado nesse remake: a disputa política entre Coronel Ramiro e Mundinho Falcão. Não que política seja um dos meus assuntos preferidos, mas o embate entre Mundinho e Ramiro é um dos maiores destaques do livro de Jorge Amado. No remake os dois foram inimigos durante a novela inteira, mas a briga entre eles foi mais por causa do romance de Mundinho com Gerusa do que pela política, que só se destacou mais no último capítulo, com a vitória de Mundinho nas eleições. Teria sido interessante acompanhar melhor os conflitos entre a antiga sociedade patriarcal representada pelos coronéis e as ideias modernas de igualdade defendidas por Mundinho. A novela só deixou mais a desejar nesse aspecto.

Entre erros e acertos, "Gabriela" despertou o interesse do público e sua repercussão foi muito boa. Durante 77 capítulos nos emocionamos, rimos e nos divertimos muito com essa história, que foi uma homenagem mais do que justa ao centenário do grande e inesquecível Jorge Amado. Para quem não leu o livro ainda, aconselho, pois vale muito a pena (Clique aqui para ler um post sobre o livro e o filme). Sempre vale a pena mergulhar no universo de Jorge Amado, e "Gabriela" foi ótima também por causa disso. Vai deixar saudades.