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quarta-feira, 23 de julho de 2014

ENTREVISTA - RUI VILHENA FALA SOBRE BOOGIE OOGIE, NOVA NOVELA DAS SEIS: "A FESTA VAI COMEÇAR!"


Autor de várias novelas de sucesso em Portugal, entre elas, "Ninguém Como Tu" (2005), "Tempo de Viver" (2006) e "Olhos Nos Olhos" (2008), Rui Vilhena escreve sua primeira novela no Brasil: "Boogie Oogie", que estreia dia 04 de agosto. Com direção de Ricardo Waddington e supervisão de Aguinaldo Silva, "Boogie Oogie" nos transportará para o final da década de 1970. A história, cuja espinha dorsal envolve uma troca de bebês, se passa no Rio de Janeiro e trará de volta todo o clima das discotecas. A intenção do autor é que os telespectadores sintam-se em uma grande festa ao assistir a novela. Mesmo muito ocupado com a escrita de sua nova história, Rui Vilhena topou gentilmente conceder uma breve entrevista para o blog, onde fala rapidamente sobre sua carreira e sobre a nova novela. Confira!

SUPER TV E MAIS! – Você sempre quis ser escritor? 

RUI VILHENA - Desde pequeno sempre gostei de contar histórias... Mais tarde “a ficha caiu” que a escrita seria a minha forma de comunicar com o mundo... a minha profissão.

SUPER TV E MAIS! – Em Portugal você escreveu várias novelas de sucesso. Em que horário essas novelas eram exibidas? Qual delas você destacaria, aquela que lhe deu mais alegrias? 

RUI VILHENAForam praticamente todas no horário nobre. Ninguém como Tu, literalmente parou o pais, Tempo de Viver começava nas Torres Gêmeas no dia 11 de Setembro, Olhos nos Olhos levou um furacão a Lisboa... Difícil escolher a que me deu mais prazer.


Três dos grandes sucessos de Rui Vilhena em Portugal

SUPER TV E MAIS! – Como foi a experiência de colaborar com Aguinaldo Silva em Fina Estampa?

RUI VILHENA O Aguinaldo é  uma pessoa incrível. Conheci o Aguinaldo em Portugal e nos tornamos amigos... Alguns anos depois, tive a oportunidade de ser colaborador em Fina Estampa. Trabalhar com ele é um luxo. O Aguinaldo é um grande mestre!


Entrevista com Rui Vilhena feita por Aguinaldo Silva

SUPER TV E MAIS! – Agora você está escrevendo sua primeira novela no Brasil, Boogie Oogie, que estreia dia 04 de agosto às 18 horas. Como está sendo a nova experiência? 

RUI VILHENABastante gratificante. Trabalhar com o Ricardo Waddington, a equipe dele, um elenco de luxo, colaboradores afinadíssimos... é um começo e tanto. O resultado é bem visível desde o primeiro minuto.

Ísis Valverde e Marco Pigossi são os protagonistas Sandra e Rafael

SUPER TV E MAIS! – Boogie Oogie será ambientada no final da efervescente década de 1970. Como surgiu a ideia de ambientar a novela nessa época? 

RUI VILHENAEu tinha 17 anos. Foi uma época divertida, alegre... que influencia até hoje artistas das mais diversas áreas. O Rio de Janeiro era uma festa. A minha idéia foi exatamente essa quando a trama entrasse no ar: senta que a festa vai começar!

SUPER TV E MAIS! – Em Boogie Oogie uma troca de bebês modificará completamente as vidas de Sandra e Vitória. Que outros temas você pretende abordar na novela?

RUI VILHENAO mistério é a alma da novela... Dia 4 vocês vão poder saber.

Sandra (Ísis Valverde) e Vitória (Bianca Bin): trocadas na maternidade

SUPER TV E MAIS! Na sua opinião o que não pode faltar em um bom folhetim?

RUI VILHENAUm bom vilão, uma história de amor que nos faça suspirar... e mistério. Novela sem mistério é batata frita sem ketchup.

SUPER TV E MAIS! Em Boogie Oogie você participou da escalação do elenco? 

RUI VILHENAO Ricardo é um diretor muito gentil e quer ouvir a opinião de todos envolvidos no processo. 

SUPER TV E MAIS! Como é dividido o seu trabalho com os colaboradores? Você costuma se envolver em todas as áreas da produção da novela? 

RUI VILHENANão, só na escrita. Não tenho tempo para mais nada. Nem para fazer xixi. Trabalho com mais 6 colaboradores... entre eles a Joana Jorge que é meu braço direito e concorreu ao Emmy de melhor novela ano passado com Windeck,  junto com Avenida Brasil e Lado a Lado.

Alessandra Negrini é a vingativa vilã Susana

SUPER TV E MAIS! – Como é a sua rotina ao escrever Boogie Oogie? Sobra tempo para o lazer quando está envolvido com uma novela? 

RUI VILHENAComeço o trabalho às 8:00 e não tenho hora para terminar. Às vezes dá para jantar com os amigos, ir ao teatro, cinema... é bom para descansar a mente.

SUPER TV E MAIS! Você que já escreveu para os dois países vê alguma diferença na estrutura das novelas brasileiras em comparação com as portuguesas? 

RUI VILHENANão.


SUPER TV E MAIS! – Como telespectador o que você mais gosta de assistir na TV? 

RUI VILHENAFicção.

SUPER TV E MAIS! Já sabe a previsão inicial do número de capítulos de Boogie Oogie?

RUI VILHENA - Ainda não.

SUPER TV E MAIS! A novela estreará em época de eleições e ainda enfrentará o horário de verão e feriados de natal e ano novo, que geralmente fazem a audiência cair. Como você lida com os números do Ibope? 

RUI VILHENAClaro que o Ibope é uma preocupação de todo autor. Quem é que não quer escrever um sucesso?!

SUPER TV E MAIS!  – Para encerrar, deixe seu convite para os leitores ficarem de olho em Boogie Oogie!

RUI VILHENAA chamada da novela diz tudo. Prepare a sua sala. A festa vai começar! 

Então já sabem: dia 04 de agosto estreia "Boogie Oogie". Imperdível!


domingo, 6 de abril de 2014

SAI "ÁGUA VIVA" E ENTRA "DANCIN' DAYS"


Que delícia foi acompanhar a reprise de "Água Viva"! Exibida na íntegra entre 30 de setembro de 2013 e 05 de abril de 2014 no canal por assinatura Viva, a novela de Gilberto Braga escrita com a colaboração de Manoel Carlos, teve uma ótima repercussão nas redes sociais, mostrando que continua uma novela muito atraente.

A reprise de "Água Viva" serviu para matar as saudades do público nostálgico e para saciar a curiosidade de toda uma nova geração que não conhecia a novela. Era uma das tramas que eu mais tinha vontade de assistir. Adorei "Água Viva" e já a considero uma das melhores novelas que vi. 


É difícil dizer o que foi melhor em "Água Viva": o texto, a direção, o elenco fantástico... A novela é uma das poucas da nossa televisão em que tudo, absolutamente tudo deu certo. Toda a equipe trabalhou numa sintonia perfeita, de modo a criar uma novela de qualidade que foi um sucesso estrondoso! Já escrevi um texto na época da estreia de "Água Viva" (clique aqui para ler) falando de minhas primeiras impressões sobre a novela. Não vou repetir tudo de novo, mas minha opinião continua a mesma. Tinha certeza que a novela era excelente antes mesmo de assisti-la e pude comprovar isso.


"Água Viva" e seus inesquecíveis personagens vão deixar muita saudade: o triângulo Lígia (Betty Faria), Nelson (Reginaldo Faria) e Miguel (Raul Cortez); a delicada orfã Maria Helena (Isabela Garcia); o casal Marcos (Fábio Júnior) e Janete (Lucélia Santos); As trapalhadas da melhor personagem da novela, a louca e divertida Stella Simpson (a SENSACIONAL TÔNIA CARRERO), as maldades de Lourdes (Beatriz Segall); as discussões do casal Márcia (Nathalia do Valle) e Edyr (Cláudio Cavalcanti); o amor de Irene (Eloísa Mafalda) e Marciano (Francisco Dantas), a batalhadora Sueli (Ângela Leal) e muito mais!


E a trilha sonora? É impossível ouvir "Menino do Rio" e não lembrar da abertura da novela, assim como todas as outras músicas nacionais e internacionais que tocaram em "Água Viva" sempre farão aqueles que assistiram à novela lembrarem de seus personagens.



Aproveito para recomendar o livro com a versão romanceada da novela. Adaptado por Leonor Basséres a partir do roteiro original de Gilberto Braga, o livro traz um resumo com os principais acontecimentos de "Água Viva" em 388 páginas, com a reprodução de vários dos ótimos diálogos da trama. Hoje em dia o livro pode ser encontrado na Estante Virtual. Foi lá que comprei o meu. É uma forma de guardar para sempre as lembranças da novela e de matar as saudades. Vale muito a pena ler.



Apesar das saudades de "Água Viva", teremos mais um clássico para assistir, pois sua substituta será "Dancin' Days" (1978) do mesmo autor e outro grande sucesso da nossa teledramaturgia. A partir de segunda, 07 de abril, vamos curtir essa outra grande novela (que tem vários atores de "Água Viva") no Canal Viva, que está de parabéns por nos presentear com tantas novelas inesquecíveis.

Para saber mais sobre "Dancin' Days" clique aqui e entre no site oficial da novela.




terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FELIZ NATAL E FELIZ ANO NOVO!


Desejo a todos os leitores desse blog um feliz natal e um feliz ano novo! O blog agora é atualizado só de vez em quando, mas continua sendo bem acessado. Agradeço a todos os leitores fieis que sempre dão uma passadinha por aqui e a todos os outros. Espero continuar contando com a leitura de vocês e que continuemos juntos em 2014! Feliz natal e feliz ano novo para todos nós!





quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

DICA DE LEITURA: CRIMES NO HORÁRIO NOBRE


Quem gosta de novelas e se interessa pelos bastidores da televisão, não pode deixar de ler esse livro. Escrito por Raphael Scire, "Crimes No Horário Nobre" aborda a trajetória de um dos maiores novelistas de nosso país: Sílvio de Abreu. 

Autor de inúmeras novelas de sucesso, como "Guerra Dos Sexos" (1983 e 2012), "Cambalacho" (1986), "Rainha da Sucata" (1990) e "A Próxima Vítima" (1995), Sílvio já foi também ator e diretor. Ele tem um estilo bastante conhecido de todos: costuma misturar humor escrachado com grandes histórias policiais, cheias de mistério. 

Para escrever esse livro Raphael Scire entrevistou Sílvio várias vezes e colheu depoimentos de autores, diretores e intérpretes consagrados para retratar os principais momentos da carreira desse grande autor.

Sílvio de Abreu e Raphael Scire, autor de "Crimes No Horário Nobre"

Mas para falar sobre o livro, ninguém melhor que o próprio autor, Raphael Scire, que topou gentilmente dar esse depoimento ao blog. Confira:


"Quando o Leandro me convidou para escrever um pouco sobre 'Crimes no horário nobre - a teledramaturgia de Silvio de Abreu', achei um pouco pretensioso da minha parte aceitar. Mas, pensando bem, como todo 'pai' que tem orgulho do 'filho', dediquei um tempinho para falar sobre esse trabalho que me deu tanto orgulho de ter feito.

Desde o princípio, Silvio de Abreu se mostrou receptivo e atencioso. Ele é, junto de Gilberto Braga, que escreve o prefácio do livro, meu autor de novelas favorito. Hoje tenho, também, admiração por Alcides Nogueira, Maria Adelaide Amaral, João Emanuel Carneiro e, mais recentemente, Vincent Villari, Thelma Guedes e Duca Rachid. Acredito que esse pessoal todo - e muitos outros nomes que não cito aqui - contribuem para a qualidade cada vez mais excepcional das nossas produções.



E foi uma delícia entrevistar as mais de 30 pessoas que se propuseram a falar do Silvio e de seus trabalhos com ele. Destaco as entrevistas com Gloria Menezes, Aracy Balabanian, Vera Holtz, Fernanda Montenegro, Tony Ramos e Jorge Fernando. Foram depoimentos deliciosos e repletos de carinho. 

No mais, espero que o livro agrade ao público que se interessa por novelas." 

Agradeço muito ao Raphael pelo depoimento. Eu, que já li o livro, recomendo muito! Tenho certeza que todos vão gostar muito. É um livro obrigatório para os telemaníacos e mesmo para quem não é tão noveleiro assim, mas gosta de uma boa leitura. 

"Crimes No Horário Nobre" se encontra à venda nas melhores livrarias, com preço médio de 50 a 60 reais. Não deixe de comprar o seu!


quarta-feira, 30 de outubro de 2013

ENTREVISTA EXCLUSIVA: MARCOS BERNSTEIN FALA SOBRE "ALÉM DO HORIZONTE", NOVA NOVELA DAS SETE


"Além do Horizonte", próxima novela das sete, que estreia nesta segunda, 04 de novembro, marca a estreia do roteirista e diretor Marcos Bernstein, como autor titular de novelas. Escrita em parceria com Carlos Gregório, com direção geral de Gustavo Fernandez e a missão de elevar os índices do horário, "Além do Horizonte" promete uma história cheia de aventura e mistério, (ingredientes pouco explorados nas novelas das sete) para prender a atenção do público. Nessa entrevista exclusiva ao blog, o autor Marcos Bernstein relembra alguns de seus principais trabalhos na TV e no cinema e fala, claro, sobre "Além do Horizonte", entre outros assuntos. Confiram:

SUPER TV E MAIS! – Como você define a história de sua primeira novela, “Além do Horizonte”?

MARCOS BERNSTEIN - A novela trata da busca por algo novo, por um novo horizonte através da jornada de três jovens. É uma história de aventura e mistério, mas que também tem bastante humor e romance.

SUPER TV E MAIS! – Como é trabalhar em parceria com Carlos Gregório? Vocês elaboraram a sinopse da novela juntos?

MARCOS BERNSTEIN - Eu e o Carlos já éramos amigos quando fizemos parte da equipe da novela “A Vida da Gente”, e a partir daí a parceria só se firmou. Começamos a pensar novos projetos e teve uma hora que achei que podia ser o momento de começar a desenvolver uma novela. Eu tinha essa ideia, a base da história, há algum tempo e mostrei pro Carlos. Ele gostou de cara. Achou super interessante. Daí escrevemos a sinopse juntos, mostramos para o Ricardo Waddington, que topou a aventura de desenvolver essa história.


Carlos Gregório e Marcos Bernstein: dupla de autores de "Além do Horizonte"

SUPER TV E MAIS! – Sempre ouvi dizer que escrever novela é um trabalho exaustivo. Como é a sua rotina de trabalho com Carlos Gregório? Vocês contam com colaboradores?

MARCOS BERNSTEIN - É exaustivo. São cento e tantos capítulos, de segunda a sábado no ar. Quando a gente conta essa experiência para os autores de séries dos Estados Unidos, por exemplo, que produzem dez, doze episódios por temporada, eles acham uma loucura. E é! Mas é uma boa loucura, é ótimo ver seu texto, sua ideia, tão bem realizada na televisão. E a rotina é essa: trabalho, trabalho, trabalho. A gente se encontra todo dia num flat junto com outros dois colaboradores, o Victor Atherino e a Giovana Moraes, e contamos com mais quatro colaboradores que escrevem de suas casas, Melanie Dimantas, Sérgio Marques, Carla Faour e Ricardo Hofstetter.

SUPER TV E MAIS! – “Além do Horizonte” sempre foi o título definitivo da novela ou você pensaram em outros títulos antes? Qual a relação desse título com a história contada na novela?

MARCOS BERNSTEIN - Sempre foi o título. “Além do Horizonte” parece conter a questão da busca, da dúvida. Do desejo pela procura por respostas.



SUPER TV E MAIS! – Li que “Além do Horizonte” tem um elenco enxuto, com menos de 40 atores. Você acha mais fácil trabalhar com um elenco menor ou a quantidade de personagens depende do tipo de história que está contando?

MARCOS BERNSTEIN - São pouco mais de 40 atores. A quantidade de personagens depende da história que você quer contar.

SUPER TV E MAIS! – “Além do Horizonte” é protagonizada por atores jovens, alguns deles saídos de Malhação. Você não teme que a novela seja comparada com Malhação, como aconteceu com Sangue Bom no início?

MARCOS BERNSTEIN - Primeiro, acho que se for comparada, não tem problema nenhum. Desde que seja comparada com uma das boas temporadas de Malhação... (risos) É natural usar atores vindos da Malhação. São jovens que amadurecem pessoal e profissionalmente e viram os atores adequados para uma novela com protagonistas jovens como a nossa. Além disso, a temática e as locações, o universo da novela é bem diferente do de Malhação. Mas, como disse, se quiserem comparar, tá tudo bem.


Thiago Rodrigues (William), Juliana Paiva (Lili), Vinícius Tardio (Rafa) e Christiana Ubach (Paulinha): os protagonistas de "Além do Horizonte"

SUPER TV E MAIS! – As duas últimas novelas das sete tiveram audiência abaixo da esperada. E “Além do Horizonte” ainda enfrentará o tão temido horário de verão. Como você lida com a pressão do Ibope?

MARCOS BERNSTEIN - Uma novela das sete é uma enorme responsabilidade, é um dos carros chefe da programação da Globo. Então claro que o Ibope tem que ser levado em conta, seria uma leviandade não fazê-lo. Mas o Ibope é apenas um dos medidores do sucesso de uma obra. É um dado que deve ser levado em conta, mas que não pode engessar o processo criativo; deve, sim, estimulá-lo. E aí nos cabe acreditar na nossa história, na condução que vamos dar a ela e trabalhar para que o público reaja positivamente.

SUPER TV E MAIS!  A que você atribui a queda de audiência que as novelas vêm sofrendo nos últimos anos? Substituir novelas que não foram bem de audiência é um desafio maior?

MARCOS BERNSTEIN - A forma de assistir televisão está mudando, o público está mudando, a rotina diária está diferente. Mas as novelas continuam fazendo parte do nosso imaginário e da nossa cultura. É um hábito que nos traz a experiência do coletivo. E todo mundo curte ter um assunto em comum. Agora as razões das flutuações específicas de cada novela é uma questão que me escapa e que não muda a enorme responsabilidade de pôr a sua novela no ar.  


Flávia Alessandra e Alexandre Borges são Heloísa e Thomaz em "Além do Horizonte"

SUPER TV E MAIS! – Você está escrevendo sua primeira novela como autor principal, mas já tem uma longa e bem-sucedida carreira no cinema, como roteirista e diretor. Quais as principais diferenças entre escrever para os dois veículos?

MARCOS BERNSTEIN - São dois longas de ficção como diretor, O OUTRO LADO DA RUA e MEU PÉ DE LARANJA LIMA, e mais de dez como roteirista. O cinema continua podendo ser mais visual, pode ter menos palavras se essa for sua escolha. A televisão, mesmo quando o programa é bem visual, tem uma dependência maior dos diálogos. Mas a base técnica, as câmeras, estão cada vez mais iguais e as linguagens cada vez mais se influenciam. Tem sido super divertido alternar entre esses dois veículos. Um dá gás pro outro.

SUPER TV E MAIS! – Você e João Emanuel Carneiro começaram suas carreiras no cinema e escreveram o roteiro de “Central do Brasil” (meu filme preferido do cinema nacional). Mais tarde os dois trabalharam juntos no seriado “A Cura”. Quais as principais lembranças que você guarda dessa parceria em trabalhos tão marcantes?

MARCOS BERNSTEIN - Primeiro, obrigado. Num eu me envolvi primeiro e chamei o João (CENTRAL), no outro ele queria fazer uma séria e me chamou (A CURA). No primeiro éramos dois jovens cheios de paixão e pouca experiência, noutro dois quase veteranos, mas ainda querendo fazer algo novo, diferente. Em comum, são dois projetos que só me deram alegrias. Dois momento especiais numa amizade de mais de vinte anos e a certeza de que a gente manda bem escrevendo juntos (risos). Claro que a maior lembrança é do Central ganhando os prêmios em Berlin, o Globo de Ouro, as duas indicações ao Oscar, além de ter sido um dos primeiros blockbusters da chamada “retomada” após o governo Collor; a sensação inebriante de ter realizado o sonho adolescente de fazer cinema. E fazer em alto nível.


Fernanda Montenegro e Vinícius de Oliveira no inesquecível "Central do Brasil"; Selton Mello em "A Cura"

SUPER TV E MAIS! – Nos filmes “O Outro Lado da Rua” e “Meu Pé de Laranja-Lima”, além de escrever o roteiro, você também foi diretor. Gostou da experiência na direção? Tem projetos de dirigir mais filmes?

MARCOS BERNSTEIN - Sim. Sou apaixonado por isso. Tenho dois filmes em captação, um para dirigir após a novela, TODO AMOR, e outro para fazer em breve, TERAPIA DA VINGANÇA. Acho que os nomes são meio autoexplicativos quanto aos gêneros... Tenho outro que talvez tente fazer em inglês, cujo roteiro está quase pronto, devo finalizar assim que acabar Além do Horizonte. Fora um filme de baixo orçamento, cujo roteiro está encaminhado e nessa situação de espera. Enfim, projetos para os próximos 10 anos como diretor de cinema.

SUPER TV E MAIS! – Como é o Marcos telespectador? O que você mais gosta de assistir na TV?

MARCOS BERNSTEIN - Quando era mais novo, assistia bastante novelas. Depois, com o trabalho, selecionava mais, via mais algumas das 21h, o horário que dava. Sempre fui cinéfilo, então via muitos filmes da Sessão Coruja, antes da TV a Cabo. Hoje em dia, vejo alguns esportes, voltei a ver mais novelas, claro, gosto de uns realities. E muitos seriados. Filmes, vejo no cinema e em Blu Ray.


"O Outro Lado da Rua" e "Meu Pé de Laranja Lima": filmes dirigidos e roteirizados por Bernstein

SUPER TV E MAIS! – Os autores que escrevem novelas das seis e sete enfrentam algumas restrições sobre o que podem ou não abordar por causa da classificação indicativa. Como você lida com essa classificação? Ela de alguma forma limita o trabalho do autor?

MARCOS BERNSTEIN - Até agora está tudo bem...

SUPER TV E MAIS! – Muito obrigado pela entrevista, Marcos! Deixe seu convite para todos ficarem de olho em “Além do Horizonte”!

MARCOS BERNSTEIN - A partir do dia 04 de novembro estará no ar “Além do Horizonte”, sua nova descoberta das Sete!

Jogo rápido

1 – Um autor ou autora de novelas:
Gilberto Braga e Dias Gomes

2 – Uma novela inesquecível: 
Vale Tudo

3 – Um ator e uma atriz:
Tony Ramos; Fernanda Montenegro

4 – Um livro:
Dom Casmurro

5 – Um filme:
Amor à Flor da Pele (In The Mood For Love)

6 – Um ídolo:
Tom Jobim, a quem tive o breve prazer de conhecer e filmar.

7 – Um cantor ou cantora:
Nat King Cole

8 – Uma música especial:
Tempo Perdido

9 – Um disco:
“Dois”, da Legião Urbana

10 – Deus para você é:
Sei lá.

11 – Sucesso para você é:
Fazer o que gosta e viver legal disso.

12 – A coisa mais importante da sua vida:

Sem ser demagogo e/ou piegas, apenas constatando uma realidade para a maior parte das pessoas, pra quem já teve filhos, eles são a resposta inevitável: Fernanda e Gustavo, na ordem cronológica.



- Clique aqui para entrar no site oficial de "Além do Horizonte" e ficar por dentro de todas as novidades sobre a novela;



- Clique aqui para assistir a um clipe com algumas cenas de "Além do Horizonte".




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

ÁGUA VIVA: UMA DELICIOSA VIAGEM AOS ANOS 1980


Assistir "Água Viva", atual reprise da faixa da meia-noite do Canal Viva, é voltar no tempo. Voltar para 1980, época em que tudo era muito diferente do que é hoje: a moda, a tecnologia, a linguagem, os costumes e a própria estrutura da telenovela.

"Água Viva" é de uma época em que a novela das oito realmente começava às oito (hoje virou novela das nove). Em 1980 o Brasil ainda vivia sob o regime militar, ainda havia Censura e a nossa moeda era o cruzeiro, ou seja, a novela faz parte de um momento histórico muito diferente do que vivemos atualmente. Só isso já é um atrativo para as novas gerações e para os saudosistas que acompanharam a primeira exibição da trama. 

Sueli (Ângela Leal) faz o possível para que Nelson (Reginaldo Faria) reconheça Maria Helena (Isabela Garcia) como filha

Em sua segunda história para o horário das oito, Gilberto Braga enfrentava dois desafios: substituir uma novela que foi ruim de audiência ("Os Gigantes", de Lauro César Muniz) e repetir o sucesso do fenômeno "Dancin' Days" (1978), sua novela anterior. Gilberto criou uma história com todos os ingredientes para fisgar o grande público. 

"Água Viva" é uma novela solar, com uma pegada moderna para 1980, usando tudo o que estava em evidência na época: o topless, o windsurf, a discussão sobre a mulher moderna e independente, entre outros temas. É um registro perfeito de como as coisas eram há mais de trinta anos atrás e isso aumenta ainda mais a sua importância. 


Unindo o melhor dos folhetins a uma trilha sonora espetacular e um tom sofisticado e realista que Gilberto Braga sabe imprimir como ninguém a suas histórias, "Água Viva" foi mais um grande sucesso do autor e serviu para consolidar seu nome definitivamente como um dos maiores novelistas de nossa teledramaturgia. Gilberto ainda contou com a colaboração mais do que luxuosa de Manoel Carlos. Não precisa dizer mais nada: com esses dois juntos, só poderia sair mesmo uma ótima novela.

Os telespectadores de hoje, acostumados a tramas mais ágeis e cheias de ação, certamente estranharão bastante a estrutura de "Água Viva": uma história de ritmo tranquilo, lento mesmo, com cenas longuíssimas. Só para dar um exemplo, no capítulo 3 há uma cena de mais ou menos 12 minutos de duração entre os personagens Marcos (Fábio Júnior) e Lourdes (Beatriz Segall). Cenas como essa, que seriam consideradas uma enrolação nas novelas de hoje em dia, eram normais na época e representavam o ritmo natural das telenovelas daquele tempo.

Lígia (Betty Faria) foi disputada pelos irmãos Nelson (Reginaldo Faria) e Miguel (Raul Cortez)

A novela tem a cara dos anos 80 em todos os aspectos e com seu ritmo lento demais, talvez seria um fracasso se fosse feita nos dias de hoje, mas esse ritmo lento é o maior charme de "Água Viva". As cenas eram melhor exploradas, a densidade dos personagens ficava mais evidente, as situações eram mais bem trabalhadas, sem a preocupação de tornar tudo ágil demais a ponto de às vezes nem entendermos direito o que estamos vendo, ou seja, tudo era mais natural. 

Não estou criticando o ritmo das telenovelas atuais, pois tudo muda ao longo do tempo e com elas não seria diferente. Na época cibernética em que vivemos, as novelas precisaram acompanhar o ritmo ágil das comunicações do mundo globalizado para sobreviver, mas obras como "Água Viva" são atemporais e sempre serão exemplos de boas novelas, independente do ritmo que tenham.

O elenco da novela dispensa comentários. Betty Faria está magnífica como a ambiciosa Lígia. Ângela Leal também dá um show de interpretação como a determinada Sueli. Suas cenas com a linda orfã Maria Helena (brilhantemente interpretada por uma Isabela Garcia ainda criança) são emocionantes. Reginaldo Faria (Nelson), Raul Cortez (Miguel), Lucélia Santos (Janete), Tônia Carrero (Stela) e Beatriz Segall (Lourdes) são os outros destaques do elenco, só para citar alguns.



Também é muito bom ver atores como Gloria Pires (Sandra), Isabela Garcia (Maria Helena), Fábio Júnior (Marcos), Kadu Moliterno (Bruno) e Maria Padilha (Beth), entre outros, novinhos, ainda em início de carreira. Além disso, podemos matar as saudades de atores que estão afastados do vídeo, como Heloísa Mafalda (Irene), Tetê Medina (Luci) e Tamara Taxman (Selma), três excelentes atrizes.


Abertura de "Água Viva"


Enfim, ficar acordado até mais tarde para assistir "Água Viva" todos os dias vale muito a pena. A reprise da novela já é um sucesso. Aliás, todas as novelas exibidas no Viva atualmente (além de "Água Viva" tem "Anjo Mau" e "A Próxima Vítima") são excelentes! 

Torço para que o canal continue apostando em sucessos da década de 1980 e que isso abra caminho para tramas da década de 1970 também. Quanto mais antiga, melhor!



sábado, 5 de outubro de 2013

ENTREVISTA - RUBENS EWALD FILHO: UM HOMEM DE CINEMA


Rubens Ewald Filho sabe de tudo de cinema. Apaixonado pela sétima arte desde a infância, ele já assistiu mais de 30 mil filmes, é considerado o maior crítico e especialista em cinema do Brasil e um dos maiores do mundo, tendo já publicados vários livros sobre o assunto. Nessa entrevista ele se define como um homem de cinema que procura difundir cada vez mais sua paixão pela arte cinematográfica. Rubens também é formado em jornalismo, já foi ator e já trabalhou em diversos veículos de comunicação e em várias emissoras brasileiras. Como roteirista, ele escreveu alguns filmes e novelas, entre elas, a famosa "Éramos Seis" (1977) com Sílvio de Abreu na Tupi. Atualmente ele também é diretor de teatro e está com vários projetos em andamento. Rubens não para nunca! Nessa entrevista ao blog ele fala um pouco sobre sua carreira como crítico, roteirista, diretor, enfim, fala um pouco de tudo. Como grande admirador de seu trabalho, fico feliz de publicar essa entrevista com Rubens e tenho certeza que vocês vão adorar saber mais sobre ele.

SUPER TV E MAIS! - Você é considerado um dos maiores críticos de cinema do Brasil e do mundo. Quando surgiu a sua paixão pelo cinema? 

RUBENS EWALD FILHO - Nasci em Santos. Fui uma criança muito reprimida, nunca tive uma amiguinho, nunca brinquei na rua. De tal forma que tenho a infância bloqueada, até o nascimento de um irmão  nove anos mais novo. Só lembro dos filmes que assisti e anotei num caderno até hoje, por isso que sei que vi mais de trinta mil filmes. Na verdade, 33.608. Então o cinema foi companheiro da minha solidão, meu professor, meu aprendizado, minha diversão, minha válvula de escape, numa palavra: minha paixão... Assim formou-se também o cara que sou hoje, solitário, discreto. Mas também  grandão porque eu fiz natação e o esporte me ajudou muito na vida... deu disciplina. Tive a sorte de ter pai e mãe bons, ainda que contra o que eu fazia. Mas foram mudando e eu sempre fui determinado, ouvia e fazia exatamente o que queria e achava certo.

SUPER TV E MAIS!  Entre os milhares de filmes que você já assistiu, consegue escolher um preferido? 

RUBENS EWALD FILHO - "2001, Uma Odisseia No Espaço" de Kubrick e "Fellini Oito e Meio".


"2001" e "Fellini", os dois filmes preferidos de Rubens

SUPER TV E MAIS!  Cite alguns filmes que você considera obrigatórios para qualquer cinéfilo, seja pela qualidade técnica ou pela contribuição dada à história do cinema. 

RUBENS EWALD FILHO - Meu caro são tantos.... Use a lista dos críticos estrangeiros, não concordo com muita coisa... mas vai ajudar seus leitores:

Os 50  melhores pela critica

      1.  Um Corpo que Cai/Vertigo (Hitchcock, 1958)
2. Cidadão Kane/Citizen Kane (Welles, 1941)
3. Era uma vez em Tóquio/ Tokyo Story (Ozu, 1953)
4. A Regra do Jogo /La Règle du jeu (Renoir, 1939)
5. Aurora/ Sunrise: a Song for Two Humans (Murnau, 1927)
6. 2001, uma Odisséia no Espaço/2001: A Space Odyssey (Kubrick, 1968)
7. Rastros de Ódio /The Searchers (Ford, 1956)
8.  Homem com uma Camera/Man with a Movie Camera (Dziga Vertov, 1929)
9. A Paixao de Joana D´arc/The Passion of Joan of Arc (Dreyer, 1927)
10. Fellini Oito e Meio /8 ½ (Fellini, 1963)
11.Encouraçado Potemkin/ Battleship Potemkin (Sergei Eisenstein, 1925)
12. A Atalante/ L’Atalante (Jean Vigo, 1934)
13. Acossado/Breathless (Jean-Luc Godard, 1960)
14. Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979)
15.  Pai e Filha /Bashun/ Late Spring (Ozu Yasujiro, 1949)
16. A Grande Testemunha/Au hasard Balthazar (Robert Bresson, 1966)
17. Os Sete Samurais/Seven Samurai (Kurosawa Akira, 1954)
18. Quando duas mulheres Pecam/Persona (Ingmar Bergman, 1966)
19. O Espelho/Mirror (Andrei Tarkovsky, 1974)
20. Cantando na Chuva/Singin’ in the Rain (Stanley Donen & Gene Kelly, 1951)
21. A Aventura/l’avventura (Michelangelo Antonioni, 1960)
22. O Desprezo /Le Mépris (Jean-Luc Godard, 1963)
23. O Poderoso Chefão /The Godfather (Francis Ford Coppola, 1972)
24. A Palavra/ Ordet (Carl Dreyer, 1955)
25. Amor à Flor da Pele/ In the Mood for Love (Wong Kar-Wai, 2000)
26. Rashomon/Idem  (Kurosawa Akira, 1950)


"Um Corpo Que Cai" (1958), "Cidadão kane" (1941) e "Psicose" (1960), três clássicos do cinema

27. Andrei Rublev/Idem  (Andrei Tarkovsky, 1966)
28. Cidade dos Sonhos/Mulholland Dr. (David Lynch, 2001)
29. Stalker/Idem  (Andrei Tarkovsky, 1979)
30. Shoah/Idem  (Claude Lanzmann, 1985)
31. O Poderoso Chefão Parte II- The Godfather Part II (Francis Ford Coppola, 1974)
32. Taxi Driver/Idem  (Martin Scorsese, 1976)
33. Ladrões de  Bicicleta/Bicycle Thieves (Vittorio De Sica, 1948)
34. A General /The General (Buster Keaton & Clyde Bruckman, 1926)
35. Metropolis /Idem (Fritz Lang, 1927)
36. Psicose/ Psycho (Alfred Hitchcock, 1960)
37. Jeanne Dielman, 23 quai du Commerce 1080 Bruxelles /Inedito comercialmente (Chantal Akerman, 1975)
38. Sátántangó / Inédito comercialmente (Béla Tarr, 1994)
39. Os Incompreendidos/The 400 Blows (François Truffaut, 1959)
30. A Doce Vida/La dolce vita (Federico Fellini, 1960)
41. Viagem Pela Italia ou Romance no Itália/Journey to Italy (Roberto Rossellini, 1954)
42. A Canção da Estrada/Pather Panchali (Satyajit Ray, 1955)
43. Quanto mais Quente Melhor/ Some Like It Hot (Billy Wilder, 1959)
44. Gertrud /Idem (Carl Dreyer, 1964)
45. O Demonio das Onze Horas/ Pierrot le fou (Jean-Luc Godard, 1965)
46. Play Time /Idem (Jacques Tati, 1967)
47. Close-Up (Abbas Kiarostami, 1990)
48. A Batalha de Argel /The Battle of Algiers (Gillo Pontecorvo, 1966)
49. Histoire(s) du cinéma (Jean-Luc Godard, 1998)
50. Luzes da Cidade/ City Lights (Charlie Chaplin, 1931)
51. Contos da Lua Nova /Ugetsu monogatari (Mizoguchi Kenji, 1953)
52. La Jetée (Chris Marker, 1962).

SUPER TV E MAIS!  O que você acha da famosa lista dos 100 melhore filmes de todos os tempos do AFI (American Film Institute)? Concorda com ela? 

RUBENS EWALD FILHO - A do AFI é só de filmes americanos e eles não são muito brilhantes e espertos... São moralistas e os franceses é que lhes ensinaram tudo... Ainda assim o AFI fez um esforço para por ordem na casa, hehe, mas você viu que a premiação deles não pegou...

SUPER TV E MAIS!  Como você analisa o atual momento do cinema nacional? Por que os filmes brasileiros são tão pouco assistidos em comparação com os filmes americanos? 

RUBENS EWALD FILHO - Isso acontece em qualquer lugar do mundo, os americanos, os filmes, digo, sempre dominam. Até que o nosso não está assim tão mal... Veja o "Elysium", um filme americano bem discutível mas que fez sucesso aqui graças a presença do Wagner Moura ... Fiquei contente por ele, prova de seu prestigio.   


Filme "Elysium", com o brasileiro Wagner Moura no elenco

SUPER TV E MAIS!  Você é formado em jornalismo e também é roteirista, tendo escrito já algumas novelas e filmes. Sua novela de maior sucesso é "Éramos Seis" (1977) em parceria com Silvio de Abreu. Como surgiu a oportunidade de escrever para a televisão e quais as principais lembranças que você guarda dessa novela? 

RUBENS EWALD FILHO - Hoje é considerada obra prima e consagrada assim... Não surgiu a oportunidade, Silvio e eu tínhamos escrito quatro roteiros juntos e ele sugeriu que fôssemos a TV Tupi propor projetos... Ele estava filmando e quem me levou foi a Irene Ravache... Assim eles gostaram e acabaram aceitando... E deu certo... Cada um de nós escrevia 15 dias porque ele montava um filme e porque a gente se dava muito bem.


Gianfrancesco Guarniere e Nicette Bruno protagonizaram a versão mais famosa do romance "Éramos Seis", de Maria Jose Dupré, em 1977, na Tupi

SUPER TV E MAIS!  Uma novela de sua autoria que eu sempre tive curiosidade de assistir é "Gina" (1978), pois gosto muito do romance homônimo de Maria Jose Dupré, no qual a novela é baseada. Como foi escrever essa novela e a que você atribui a baixa repercussão?

RUBENS EWALD FILHO - Não teve baixa repercussão. Se você pesquisar, foi grande sucesso de audiência no horário das seis... O problema foi que o chefe de núcleo Herval Rossano brigou com o  diretor e a novela tinha problemas de maquiagem, figurino, coisas assim ... Mas o elenco era unido e até hoje somos amigos.. Não tive problemas pessoais e gostavam do texto. Mas era época de censura rigorosa e ele pouco ou nada tem a ver com o livro original, infelizmente, praticamente só a fase final. Não gosto do resultado porque houve demais interferência, tanto que eu voltei diretamente para a Tupi e fiz "Drácula", a última novela do canal... Mas  fiquei na Globo como crítico de cinema e no Oscar, logo meses depois de "Gina"... Então não foi tao mal... Fiquei 12 anos como crítico...

Christiane Torloni (Gina), Emiliano Queiróz (Fernando), Miriam Pires (Julica) e Fátima Freire (Zelinda) em "Gina" (1978).

SUPER TV E MAIS!  Em 1980 você escrevia a primeira novela brasileira sobre vampirismo, "Drácula", para a TV Tupi. Mas apenas 4 capítulos foram ao ar, porque a emissora estava em crise e fechou as portas. Foi frustrante ter a produção da novela interrompida? 

RUBENS EWALD FILHO - Na verdade foram cinco. E a Tupi ainda os reprisou quando soube que íamos para a bandeirantes com o Avancini, o que me obrigou a reescrever todo o início da novela e para retomar depois do sétimo!!! hehe, loucura... Claro que foi ruim... Mas guardo só boas lembranças da equipe e do elenco da Tupi, que eu adorava e ainda gosto muito.


"Drácula" (1980, Tupi) mudou de nome quando foi exibida na Bandeirantes no mesmo ano

SUPER TV E MAIS!  "Drácula" foi feita na Bandeirantes no mesmo ano, mas com outro título: "Um Homem Muito Especial". Você fez muitas mudanças na história com a troca de emissora? Ficou satisfeito com o resultado?

RUBENS EWALD FILHO - O projeto era de Walter Avancini, que foi quem me chamou para escrever... Quando não deu certo, ele foi chamado para ser diretor geral da Bandeirantes, assim teve moral de nos levar... Claro que tive que reduzir a novela e personagens em um terço, que era ainda menos grana que a Tupi. O problema é que eu tinha ganhado bolsa do governo americano e teria que viajar no meio. Foi o que sucedeu... Porque mudou minha vida a viagem... Fui aos festivais, estúdios, conheci kurosawa, Truffaut, Godard e assim por diante, deixei de ser caipira, Eheheh!


Abertura de "Gina"

SUPER TV E MAIS!  Por que você deixou meio de lado a sua carreira de roteirista no cinema e na televisão? Pensa em escrever outras novelas? 

RUBENS EWALD FILHO - Simplesmente porque não fui convidado. A imagem de crítico e do Oscar ficou forte demais. Depois nunca me ofereci ou propus projetos... Se quiser que me chamem. Agora o trabalho de escrever novela é desumano ...  


Túnel do Tempo do "Vídeo Show" sobre "Gina"

SUPER TV E MAIS!  Atualmente você também é diretor de teatro. Há projetos de novas peças? 

RUBENS EWALD FILHO - Sim, nos últimos tempos tenho tido falta de sorte que não conseguimos dinheiro para montar projetos mais ambiciosos. Também esbarrei em gente mal caráter e desonesta. Agora retomei e tenho no momento três projetos em andamento. Também fui chamado para ser ator, mas até o momento sempre recusei.



SUPER TV E MAIS!  Para terminar, agradeço sua gentileza por conceder essa entrevista. Deixe sua mensagem para os leitores do blog. 

RUBENS EWALD FILHO - Hoje nem me acho só um crítico de cinema, mas um homem de cinema... Faço festivais, curadoria, escrevo livros, enfim... Gravei agora programa novo para a HBO... Tudo dentro de uma proposta de amor ao cinema, de cada vez difundir mais essa arte e paixão.

- Clique aqui para saber mais sobre "Gina" (1978) no site Memória Globo;

- Clique aqui para assistir vários capítulos de "Éramos Seis" (1977) no site da Cinemateca Brasileira;

- Clique aqui para entrar no blog oficial de Rubens Ewald Filho.