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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

LAURO CÉSAR MUNIZ E EQUIPE DE MÁSCARAS FAZEM BALANÇO DA NOVELA

Da esquerda para a direita: Mariana Vielmond, João Gabriel Carneiro, Lauro César Muniz, Mário Viana, Renato Modesto e Carol Agabiti

Na próxima terça-feira, 02 de outubro, será exibido o último capítulo da novela "Máscaras" na Record. Escrita por Lauro César Muniz, "Máscaras" apresentou uma história policial cheia de mistérios e tramas bem amarradas, com situações e temas pouco explorados nas novelas mais convencionais. Foi uma tentativa válida de fugir da mesmice que anda tomando conta das novelas ultimamente, apresentando uma história com situações inéditas e bem exploradas. Infelizmente a novela não atingiu o sucesso esperado e passou por alguns problemas durante sua exibição, como mudanças de horário e troca de diretor.

O autor Lauro César Muniz concedeu mais essa entrevista para o "Super TV e Mais!", onde fala dos problemas enfrentados ao longo de sua novela e faz um balanço dos resultados de "Máscaras". Ele também fala da baixa qualidade que vem tomando conta das telenovelas e de seus planos para o futuro. 

O co-autor de "Máscaras", Renato Modesto, e os colaboradores Mário Viana, Mariana Vielmond, João Gabriel Carneiro e a pesquisadora da novela, Carol Agabiti, também deram depoimentos ao blog sobre a experiência de terem feito parte da equipe de "Máscaras". Confiram a entrevista com o Lauro e os depoimentos da equipe da novela!

ENTREVISTA COM LAURO CÉSAR MUNIZ


SUPER TV E MAIS! - "Máscaras" começou com audiência baixa e você teve que fazer alguns ajustes no enredo. Mesmo assim a novela não atingiu a audiência esperada. Houve algum tipo de frustração por causa disso? Como você avalia a audiência da novela?

LAURO CÉSAR MUNIZ - Na verdade, a novela estreou com audiência baixa. Ao contrário de "Poder Paralelo" que estreou com 15%, "Máscaras" estreou com 11%. Alguma coisa já estava errada. Depois a audiência manteve-se em volta de 9% e foi caindo até 7 ou 8%. Manteve-se assim até ser transferida para às 23:15 (quase sempre depois das 23:30). Depois caiu absurdamente até 6%, 5%. É preciso considerar que neste período também caíram drasticamente as audiências de "Rebelde". Tanto "Máscaras" como "Rebelde" nunca mais reagiram. Houve um período de dificuldades na Teledramaturgia da Record que culminou com a saída de Ignácio Coqueiro e depois do Diretor de Teledramaturgia. Neste mesmo período, com exceção de "A Fazenda" toda a programação da emissora oscilou, como foi fartamente publicado pela imprensa. 

A frustração não foi apenas minha, foi geral. O Elenco chegou a emitir um documento público quando Edgard Miranda assumiu a direção da novela.

O que aconteceu? Difícil entender no primeiro momento. Hoje as coisas começam a ficar mais claras, com a nítida diferença da gestão do novo diretor de teledramaturgia. 

É muito difícil para uma novela que estreou durante uma forte crise se recuperar. Tenho uma parcela de responsabilidade em tudo isso: supervalorizei a capacidade do público acompanhar uma história policial bastante intrincada. E cometi o erro (até o capítulo 40) de abrir muitos mistérios sem os revelar por muito tempo. 40 capítulos definem a performance de uma novela. Não conheço nenhuma novela que que tenha estreado mal e se recuperado bem mais tarde.   

SUPER TV E MAIS! - Você acha que o fato de a novela ter sofrido algumas mudanças de horário pode ter dificultado a fidelização da audiência?

LAURO CÉSAR MUNIZ - O horário das 23:30 até bastante além da meia-noite é um horário especialmente complicado. Trata-se da última novela exibida, depois de mais de 10 outras, anteriores. E era a única novela que ia além da meia-noite, cotidianamente. Um horário em que a porcentagem dos aparelho ligados é muito baixa e cai verticalmente. O público desse horário já está muito cansado, prefere se envolver com um filme ou um programa leve, relaxado. "Máscaras" foi concebida para as 22:15 hs.


Os protagonistas da novela

SUPER TV E MAIS! - Antes do início de "Máscaras" você declarou que essa seria a sua última novela. É realmente a última ou você acha que pode mudar de ideia e escrever mais alguma novela no futuro?

LAURO CÉSAR MUNIZ - "Máscaras" foi minha última novela. Basta fazer as contas: entre uma novela e outra, em geral o autor espera uns 2 anos. Terminarei essa novela em outubro de 2012. Dentro de dois anos estarei com 77 anos. Já sinto que o tempo tirou de mim uma certa vitalidade. Fiz "Máscaras" com 125 capítulos e cheguei bastante cansado ao final. Se as novelas baixarem drasticamente o número de seus capítulos, como eu proponho há muitos anos (120 a 140 capítulos, apenas) poderei arriscar a fazer mais uma, com a companhia de um ótimo co-autor. A solução para que eu continue a produzir para a televisão será fazer minisséries. Já apresentei um bonito projeto à Record, onde pretendo terminar minha carreira.

Nos próximos anos vou escrever Teatro, Cinema e minisséries.

SUPER TV E MAIS! - Sempre ouvi dizer que escrever novela é um dos trabalhos mais exaustivos que existem. Quais são os seus planos para depois de "Máscaras"?

LAURO CÉSAR MUNIZ - Telenovela é o 13º trabalho que Hércules se recusou a fazer. Somos poucos que conseguimos segurar este peso. Os jovens estão aparecendo mas cometendo os erros de imitar os piores trabalhos de minha geração. Há um consenso de que é preciso baixar muito o nível porque o telespectador hoje tem um nível médio muito fraco. Isso não é verdade. O que acontece é que as próprias emissoras de televisão, abertas, anestesiaram o público com produção de baixíssima qualidade. O público hoje parece dopado por clichês que nada propõem de novo. É preciso haver um choque de boa qualidade para tirar o público desse sono eterno...

SUPER TV E MAIS! - Para terminar, qual o balanço final que você faz de "Máscaras"? Apesar dos problemas enfrentados, valeu a pena ter escrito a novela?

LAURO CÉSAR MUNIZ - Gosto do tema e da trama de "Máscaras"! Criei personagens lindas com as quais vivi muito tempo. O elenco era excelente com quatro ou cinco atores e atrizes que destoavam. Criei coisas inéditas (o casal Zezé, por exemplo) e levantei questões muito importantes como a exploração descontrolada de um minério estratégico, o Nióbio, em que o país é soberano (85% mais ou menos do Nióbio do mundo inteiro, está em território brasileiro). Denunciei o descuido dos vários governos que permitem que este elemento saia do país "a preço de banana, contrabandeado". Há muita gente ganhando muitos dólares às cutas do Nióbio, enquanto a população desconhece essa riqueza incrível. Vejam no Google o que é o Nióbio, aqui não é o espaço para que eu faça exposição do problema. Outros assuntos me fascinaram - a tentativa de atentado contra o Presidente Obama quando visitou o Rio de Janeiro em março de 2011. Fundi ficção com história.

DEPOIMENTOS DA EQUIPE DA NOVELA

RENATO MODESTO - Co-autor: " Máscaras foi um desafio para mim. Um aprendizado difícil, mas precioso. Nos treze anos em que trabalhei na Rede Globo, escrevi com o grande autor Walther Negrão novelas das 18 horas. Eram tramas leves e divertidas, voltadas para todas as faixas etárias. Neste meu primeiro trabalho na Rede Record, tive que me adaptar às características de uma novela mais adulta, exibida em horário avançado, com temas fortes e polêmicos.
A novela passou por diversos problemas de produção, uma troca de diretor, doenças no elenco e mudanças constantes de horário, Mas tais dificuldades acabaram se tornando estímulo para que seguíssemos mantendo um alto grau de exigência quanto à qualidade do texto. 
Lauro César Muniz já era um modelo de competência para mim e essa admiração aumentou anda mais. Lauro é um autor que não suporta acomodação e obviedades. É um inimigo do lugar-comum, um destruidor de clichês, um roteirista que tem a coragem de ver a novela não como  produto ou mero entretenimento, mas como arte. 
Serei sempre grato a ele por tudo o que aprendi e cresci. Espero que ele continue presenteando a  todos nós com seu talento e idealismo ainda por muitos e muitos anos."

MÁRIO VIANA - Colaborador: "Fazer sucesso é muito bom e é claro que nós queríamos ter registrado números bem maiores no Ibope, mas a resistência à novela em nenhum momento nos enfraqueceu. Em instante algum, a emissora nos pediu pra 'baixar o nível' de uma história cheia de entrelaçamentos pouco convencionais nas novelas. E, principalmente, em momento algum o Lauro César Muniz admitiu que diálogos, tramas e abordagens resvalassem no simplório. A exigência continuou alta do primeiro ao último dia. Só isso já é um aprendizado. Enfrentar dificuldades sem ceder, sem adulterar o próprio trabalho. Houve também um encontro muito bom com diversos atores do elenco, que vestiram a camisa da novela e arregaçaram as mangas junto com a equipe de autores e os diretores - tanto o Ignácio quanto o Edgard. Termino a novela de cabeça erguida e certo de ter feito um trabalho de excelente nível, de muita qualidade e em ótima companhia".

MARIANA VIELMOND - Colaboradora: "Sei que depois de trabalhar com o Lauro vou sempre voltar a esse marco. Tudo que eu escrever a partir desse ponto já não será como antes. O Lauro é um autor que se dedica ao ofício com paixão e generosidade. Com entrega absoluta, sem receio de abrir seus métodos, sua busca, suas crenças, seu conhecimento. O Lauro se oferece inteiramente para a troca, não apenas de técnica, mas também de impressões e afeto.  Para este trabalho reuniu uma equipe com essa mesma disposição de partilha, o que resultou para mim num aprendizado sem tamanho, porque eram todos tão diferentes. Sou grata a cada um dos meus parceiros nessa jornada. Autores e personagens. Sei que ainda vou seguir por muito tempo dialogando com essas criações dentro de mim. "

JOÃO GABRIEL CARNEIRO - Colaborador: "Máscaras é uma novela rara, inovadora, sofisticada. Ao mesmo tempo, muito sensível e poética, em contraste com uma história policial violenta. As personagens, em geral, não são o que parecem ao primeiro olhar. Todas repletas de contradições. Seres humanos, com defeitos e qualidades. Suas 'máscaras' vão caindo e a história vai se revelando, aos poucos, como um quebra-cabeças. Um prato cheio para a interpretação dos atores, e um convite à reflexão do telespectador. Profundos dramas psicológicos geram constantes viradas na história. E cada trama pessoal faz parte desse contexto maior, no qual todas estão inseridas: uma grande conspiração internacional. A novela fala sobre o Brasil de hoje, seu contexto econômico no mundo. Tem forte cunho político. Por esses e outros motivos, foi um enorme prazer fazer parte dessa equipe e trabalhar com tantos talentos, dispostos a dar o máximo pela obra. Arte genuína. Um grande orgulho que vou levar comigo para sempre. Só tenho a agradecer."


CAROL AGABITI - Pesquisadora: "A primeira novela que vi do Lauro foi O Salvador da Pátria. Eu era criança e ficava encantada com o Sassá Mutema... 
A primeira vez que eu vi o autor em carne e osso foi numa palestra sobre Teledramaturgia. Até hoje lembro o que ele ensinou naquele dia. 
Trabalhar com o Lauro em Máscaras foi mais do que um prazer... Foi um grande aprendizado. Porque assim como suas obras deixam marcas, é impossível você se relacionar com ele sem se transformar.
Fazer pesquisa para telenovela é um desafio. Você tem que tirar todas as dúvidas dos roteiristas e deve esmiuçar os temas que serão abordados pelas tramas. Basicamente, você tem que ser capaz de responder perguntas sobre qualquer assunto. Por exemplo: O que acontece com alguém que leva um golpe de injeção no pescoço? Por que o Brasil está vendendo tão barato o Nióbio? O que o Obama fez durante sua viagem ao Brasil? E por aí vai... 
Lauro leva a pesquisa muito a sério e respeita o trabalho de seus pesquisadores profundamente. Muitas vezes, ele reescreveu cenas inteiras porque a pesquisa apontava para um caminho diferente do que ele tinha ido. Lauro é um autor realista que respeita a inteligência do público e gosta que suas obras estejam embasadas na realidade. Ele acredita que a telenovela, além de entreter, é capaz de informar e também de estimular o telespectador a pensar! 
Agradeço aqui o Lauro pelo convite! Um beijo para o Renato, o Mário, a Mariana e o João, roteiristas super talentosos que estiveram comigo nesse processo. Obrigada também a todos que me ajudaram a responder as dúvidas da novela: Érica, Renato, Cadu, Lombardi, Thiago, Alessandra, Cristiane, Maira, Esther, Horácio, Ronaldo e Adriano."


Agradeço ao Lauro pela gentileza de conceder mais essa entrevista ao blog e a toda a equipe de roteiristas da novela pelos ótimos depoimentos! Muito obrigado a todos e boa sorte nos próximos projetos de cada um!

Fiquem de olho nos capítulos finais de "Máscaras"!



sábado, 16 de junho de 2012

RECORDANDO: OS 35 ANOS DA NOVELA ESPELHO MÁGICO

Glória Menezes, Tarcísio Meira e Sônia Braga.

Essa semana no dia 14 de junho, fez 35 anos da estreia da novela "Espelho Mágico". Escrita por Lauro César Muniz e dirigida por Daniel Filho, Gonzaga Blota e Marco Aurélio Bagno, a novela foi exibida no horário das 20 horas entre 14 de junho e 5 de dezembro de 1977, em 150 capítulos.

Depois do sucesso de "O Casarão" (1976),  Lauro César Muniz apresentava ao público outra novela de estrutura ousada e inovadora. Usando metalinguagem "Espelho Mágico" mostrava os bastidores da TV, teatro e cinema, e a rotina de atores, autores, diretores e jornalistas, através da história do casal de atores Diogo Maia (Tarcísio Meira) e Leila Lombardi (Glória Menezes), protagonistas da novela fictícia "Coquetel de Amor", ou seja, era exibida uma "novela dentro da novela". Além  de "Coquetel de Amor", "Espelho Mágico" mostrava ainda os bastidores da montagem da peça teatral "Cyrano de Bergerac".

"Coquetel de Amor" era escrita pelo autor Jordão Amaral (Juca de Oliveira), que era apaixonado por Leila, sua ex-mulher e fazia declarações através do texto escrito para a personagem dela em "Coquetel de Amor". O casamento de Leila e Diogo entra em crise por causa de Cynthia (Sônia Braga), uma jovem e ambiciosa atriz que quer alavancar sua carreira e também por culpa de Beatriz (Lídia Brondi), filha de Leila que não gosta de Diogo.

Anúncio da novela.

"Espelho Mágico" apresentava uma complexa estrutura narrativa intercalando situações vividas pelos personagens na "vida real" e na novela "Coquetel de Amor". A novela também mostrou depoimentos do elenco sobre a profissão de ator.

Outros destaques do elenco de "Espelho Mágico" foram Lima Duarte, Yoná Maglhães, Djenane Machado, Carlos Eduardo Dolabella, Mauro Mendonça e outros grandes nomes. A novela foi a primeira de Tony Ramos e Vera Fischer na Globo.

Lídia Brondi, Tarcísio Meira e Glória Menezes na capa da Revista "Amiga". Na foto da direita Tony Ramos e Lídia Brondi.

O autor Lauro César Muniz conta por email que a novela é uma de suas preferidas e revela algo que muitos  talvez não saibam: "Espelho Mágico é uma das minhas novelas mais queridas. Como um filhote dileto, de cabeça privilegiada. Mas um amigo que trabalha na emissora, me contou que não existe mais a novela. A TV Globo apagou! Há muitos anos. Deixou apenas algumas cenas para arquivo", diz ele.

"Espelho Mágico" é muito lembrada até hoje pelas inovações apresentadas no gênero telenovela e sem dúvidas terá sempre um lugar de destaque na história de nossa teledramaturgia.

Confira a abertura de "Espelho Mágico":



Veja também uma chamada de estreia da novela:


E algumas cenas do último capítulo, incluindo o discurso final do palhaço Carijó (Lima Duarte):





Com informações do livro Guia Ilustrado TV Globo: Novela e Minisséries e do site memoriaglobo.com.br







quarta-feira, 11 de abril de 2012

PRIMEIRO CAPÍTULO DE "MÁSCARAS" CHAMA A ATENÇÃO



Foi ao ar nesta terça, 10 de abril, o capítulo 1 da nova novela de Lauro César Muniz na Record, "Máscaras". Ainda é muito cedo para analisar a novela, mas vendo o primeiro capítulo, podemos esperar uma grande história, cheia de emoção, suspense, personagens complexos, adrenalina e muito mistério.

O autor usou o primeiro capítulo para apresentar a história principal: o drama do fazendeiro Otávio (Fernado Pavão), que não sabe mais o que fazer para ajudar a esposa Maria (Miriam Freeland), que tentou matar o próprio filho por causa de uma depressão pós-parto e ainda está muito perturbada emocionalmente. Miriam Freeland foi o grande destaque desse primeiro capítulo da novela. A atriz brilhou e mais uma vez deu provas de seu grande talento ao interpretar a angustiada Maria, um papel muito denso e complexo. Fernando Pavão e Petrônio Gontijo também se destacaram, assim como Daniela Galli no papel da psicóloga Tônia. Heitor Martinez e Gisele Itié apareceram pouco até agora, mas já deu para sentir que seus personagens terão grande importância na história.


Muitas coisas aconteceram nesse início de novela. Depois de viajar em um cruzeiro marítimo para tentar se livrar da depressão, Maria voltou à fazenda do marido, mas continua rejeitando o filho. Ela deu muita preocupação a Otávio e ao Dr. Décio (Petrônio Gontijo), ao sair de casa no meio da noite, fazendo com que todos se embrenhassem na mata para procurá-la. Também fomos apresentados à Tônia e sua irmã Luma (Karen Junkeira). A psicóloga beijou o cara com quem a irmã estava ficando e inventou para ela que foi ele quem a agarrou. Luma acusou Tônia de afastá-la das pessoas e as duas tiveram uma séria discussão. Os conflitos entre elas devem aumentar ainda mais ao longo da novela. Para encerrar o capítulo, dois homens misteriosos sequestraram o filho de Maria junto com a babá e o filho dela, com direito a cena de perseguição de tirar o fôlego. Depois, mandaram a babá de volta à fazenda exigindo a presença de Maria no cativeiro.


Quem assistiu o primeiro capítulo de "Máscaras", certamente gostou da novela, que tem tudo para fazer sucesso. O único problema é a longa duração das novelas da Record. "Máscaras" terá mais de 200 capítulos, como disse o autor Lauro César Muniz em entrevista ao blog, e isso certamente fará com que a novela perca um pouco do fôlego em algum momento, como sempre acontece com novelas longas. Outro problema é que a Record sempre altera a edição dos capítulos de suas novelas, fazendo com que cenas que deveriam ser exibidas em um capítulo, acabem passando para o capítulo seguinte. Dessa maneira, os ganchos dos finais de capítulos sempre ficam diferentes daquele que o autor escreveu, e isso deixa a novela um pouco desorganizada, pois faz com que o capítulo que o autor escreve vá ao ar de maneira diferente do previsto, em virtude da nova edição. O primeiro capítulo de "Máscaras" foi ao ar na íntegra e todas as cenas previstas no resumo do capítulo foram ao ar. Vamos torcer para que os próximos continuem assim.

Muitos personagens ainda vão entrar em "Máscaras" e muitas coisas vão acontecer ao longo desses duzentos e tantos capítulo. Pelo que foi visto até agora a novela promete. Vamos acompanhar e ver se a promessa se cumpre.





segunda-feira, 9 de abril de 2012

ENTREVISTA COM LAURO CÉSAR MUNIZ E ESPECIAL "MÁSCARAS"


Lauro César Muniz é um dos maiores autores de telenovelas do Brasil. Começou sua carreira no teatro, onde escreveu muitas peças de sucesso, entre elas, "O Santo Milagroso" (1963), que também foi adaptada para o cinema e televisão. Lauro escreveu sua primeira novela, "Ninguém Crê em Mim", em 1966 na extinta TV Excelsior. Essa foi a primeira novela a abordar uma temática diferente do que era veiculado na época. Depois disso Lauro César passou por  emissoras como Tupi e  Record, onde escreveu, entre outras, a bem-sucedida "As Pupilas do Senhor Reitor" (1970). Sua estreia na Globo foi em 1972. São dele várias novelas clássicas, como "Carinhoso" (1973), "Escalada" (1975), "O Casarão" (1976), "Roda de Fogo" (1986) e "O Salvador da Pátria" (1989). Lauro também passou pela Bandeirantes, onde escreveu a novela "Rosa Baiana" (1981).

Em 2006, depois de nove anos sem fazer novelas, Lauro voltou à TV Record, onde escreveu as novelas "Cidadão Brasileiro" (2006) e "Poder Paralelo" (2009). Nesta terça, dia 10 de abril às 10 e 15 da noite, estreia a sua nova novela na emissora, "Máscaras", escrita em parceria com Renato Modesto e com a colaboração de Mario Viana, Mariana Vielmond e João Gabriel Carneiro. Com direção geral de Ignácio Coqueiro, "Máscaras" conta com grandes nomes em seu elenco, como Fernando Pavão, Miriam Freeland, Petrônio Gontijo, Paloma Duarte, Heitor Martinez, Bárbara Bruno, Jussara Freire, Luíza Tomé, Gisele Itié e Cecil Thiré. Nessa entrevista, Lauro César Muniz fala um pouco sobre "Máscaras" e sobre seu trabalho. Confira:

SUPER TV E MAIS! - Depois de tantos anos de carreira e tantos trabalhos, é verdade que o autor passa a se cobrar mais a cada novela para fazer um trabalho cada vez mais perfeito?

LAURO CÉSAR - É verdade. Cada trabalho exige mais responsabilidade, cada trabalho exige uma investida com alguma novidade, algum formato ou temática ainda não tratados. O que me preocupa agora, no fim de minha carreira, é transferir experiência para autores mais jovens. Cabe a eles darem seguimento a todas as minhas tentativas. Não é fácil. Encontro muitos autores jovens viciados por clichês e fórmulas mais do que velhas. Mas acontece de, vez ou outra, encontrar gente com real desejo de fazer um trabalho sério. Não faço melhor por falta de capacidade e não por falta de empenho.

SUPER TV E MAIS! - Como você define sua nova novela "Máscaras"? É uma história policial?

LAURO CÉSAR - É uma história policial armada com personagens e tramas que me encantam: pessoas fortes, que não se escamoteiam por pequenos motivos, mas todos com uma visão muito clara do que almejam. São personagens ambiciosos, no bom sentido.

SUPER TV E MAIS! - Pelo que li da sinopse, "Máscaras" será uma novela cheia de mistérios. Eu acredito que deve ser mais difícil escrever uma novela assim, pois cada acontecimento tem que ser milimetricamente planejado de acordo com os segredos da história. Estou certo ou às vezes acontece de nem os próprios autores saberem direito as soluções dos mistérios e elas vão sendo construídas com a novela no ar?

LAURO CÉSAR - As duas coisas ocorrem. É claro que numa trama policial há que se ter o cuidado extremo com os detalhes. Mas, ao mesmo tempo, há mistérios que nem os próprios autores conseguem decifrar no primeiro momento. Não há cartas marcadas. Como as personagens estão estruturadas com forte consistência e o ponto de partida tem lógica e verdade, há meandros da história onde se pode correr algum risco.

SUPER TV E MAIS! -  Você é daqueles autores que já começam a escrever sabendo como a novela vai acabar ou acontecem muitas mudanças com aquilo que você planejou na sinopse?

LAURO CÉSAR - Dificilmente sei o final. Ficaria muito esquemático. A vida é surpreendente e se faz a cada instante. Na telenovela é assim também. Gosto de me esnucar, me desafiar. Como há uma coerência interna nas tramas, a lógica acontece.


SUPER TV E MAIS! - Agora virou moda dizer que é a "Nova Classe C" quem ditas as regras das  novelas. Você concorda com isso? "Máscaras" também tem essa preocupação de atingir especificamente à essa classe social?

LAURO CÉSAR - Não. Isso é uma tolice, dedução apressada sem nenhuma base em pesquisas ou conhecimento da nova classe C emergente. Essa bobagem não surgiu na TV Record.

SUPER TV E MAIS! - Como você vê a disputa cada vez mais acirrada entre Globo e Record na teledramaturgia?

LAURO CÉSAR - A Globo tem muito mais know-how. A TV Record hesita ainda por falta de experiência. O fato concreto e visível - sem preconceito - é que estamos fazendo novelas mais ambiciosas na TV Record. As novelas da Globo estão sendo destruídas por alguma cabeça precipitada: "fazer o clichê e o óbvio, já que o público que predomina hoje é estúpido". Há aí uma contradição séria - burros consomem os produtos dos intervalos comerciais da emissora?

SUPER TV E MAIS! - A sua ida para a Record correspondeu a todas as suas expectativas? Como você avalia a sua trajetória na emissora?

LAURO CÉSAR - Não. Eu encontrei muitas dificuldades. Os dirigentes tinham uma visão distorcida de telenovelas por causa da influência dos primeiros profissionais que eram apaixonados pelas fórmulas gastas. Uma questão até de defender aquilo que se sabia fazer. Sofri um bocado no início e ouvia as coisas mais estúpidas como orientação profissional de autor que se colocava como dono da verdade. Hoje mudou muito. Sou ouvido por todos e tenho o carinho dos mais inteligentes. Vou terminar minha carreira como autor de telenovelas na TV Record.

SUPER TV E MAIS! -  Você é um dos autores que defendem as novelas mais curtas de no máximo 140 capítulos e com um elenco menor. "Máscaras" será assim? Quantos capítulos a novela terá a princípio?

LAURO CÉSAR - "Máscaras" terá mais de 200 capítulos. A emissora ainda não analisou as vantagens das novelas curtas. Muito em breve todas as novelas serão mais curtas - em volta de 140 capítulos. Já há vários ensaios dessa disposição na Globo: a novela do horário das 18 horas é sempre um excelente campo de provas. As novelas curtas como "O Astro" e a próxima, também. Em tempo de comunicação dinâmica e rápida como a Internet é um contrasenso fazer novelas de 200 capítulos. Já sinto na TV Record uma forte atenção para este assunto. Logo serei ouvido pela cúpula administrativa da emissora sobre este tema. Minha luta tem mais de 30 anos. O Daniel Filho uma vez me chamou para fazer um teste. Cheguei a apresentar uma sinopse de novela curta, mas houve uma marcha-a-ré por motivos que até hoje não entendo.

Agradeço ao Lauro por ter conseguido achar um tempo para responder essa entrevista, mesmo com toda a correria da estreia da novela. Boa sorte para ele e que "Máscaras" seja mais um grande sucesso em sua carreira.

Vamos saber um pouco mai sobre a novela?

ESPECIAL "MÁSCARAS"

A HISTÓRIA

Fernando Pavão e Miriam Freeland são Otávio e Maria.

O proprietário rural Otávio (Fernando Pavão) e sua esposa Maria (Miriam Freeland), que está com depressão pós-parto, partem em um cruzeiro num transatlântico em companhia do médico Décio (Petrônio Gontijo). Na volta da viagem, Maria e o bebê são sequestrados misteriosamente. Otávio paga uma grande soma em dinheiro para os bandidos libertarem sua esposa e seu filho, mas eles continuam desaparecidos, sem deixar vestígios. Otávio entra em depressão profunda e chega a ser internado na clínica do Dr. Décio.

Meses depois, Décio recebe uma mensagem de um remetente misterioso que promete esclarecer o sequestro e marca um encontro em um cruzeiro marítimo. Décio convence Otávio a fazer a viagem, dizendo que ela faz parte da terapia. Martin (Heitor Martinez), irmão de Maria, também parte no mesmo transatlântico acompanhado de sua namorada, a garota de programa Manu (Gisele Itié). Otávio continua cada vez mais deprimido e Décio teme que ele atente contra a própria vida.

Quando Martin lhe diz que Maria e o bebê estão mortos, Otávio resolve se matar e pede a ajuda de Décio. Depois de gravar um vídeo de despedida e passar seus bens para Martin, Otávio é levado a um helicóptero com Décio. Martin também vai junto para ver o suicídio do cunhado. Décio vai aplicar uma injeção em Otávio para ele não sofrer, mas acaba aplicando a injeção em Martin, e é ele que é lançado ao mar no lugar de Otávio. 

Otávio então, resolve assumir a identidade de Martin. Ele quer renascer na identidade de outro homem, mas ao fazer isso, está assumindo também o passado do outro, e a partir daí, ele vai se envolver em uma grande e perigosa aventura.

O QUE ACONTECE NO PRIMEIRO CAPÍTULO

Paloma Duarte é Nameless.


A bordo do navio, Maria confessa para Olívia que está com medo. A governanta tenta acalmar Maria, que se emociona ao pensar no filho que está prestes a encontrar. Doutor Décio conta para Maria que Otávio está esperando por ela no porto. Maria pede para não falar com o marido ao telefone. Décio diz a Otávio que ele precisa superar a crise de depressão pós-parto da mulher.
Maria estranha que Tônia saiba sobre seu filho. Maria reage friamente a Otávio e afirma não querer voltar para casa. Décio diz que eles devem ir para a fazenda imediatamente. Tônia conta para Luma que Maria rejeitou o bebê e o atirou no rio.
Dos Estados Unidos, Martim diz para Maria que sua mãe está internada. Maria se ressente com o pai por ter deixado a mãe. Martin fala para Maria que voltará de vez para ao Brasil, pois perdeu muito dinheiro. Otavio fica incomodado com a ligação de Martin e diz a ele que Maria ainda não está recuperada.
Manuela fala para Martim que seu visto americano venceu. Olívia lembra Otávio que seu aniversário de casamento está próximo. Maria entra em crise e Décio tenta convencê-la de que não matou o filho. Maria fica perturbada ao ver o filho. Maria acusa Otávio de tê-la substituído por uma bela babá de mesmo nome. Maria do Socorro afirma que Maria está com ciúmes do filho.
Tônia não gosta que Luma tenha marcado um encontro com um amigo. Tônia seduz Guto e lhe dá um tapa quando ele a beija. Tônia diz a Luma que ele tentou dar em cima dela. Tônia conta para Luma que fez anotações sobre o caso de Maria durante a viagem. Otávio e Décio vão atrás de Maria, que deixou o quarto durante a noite. Otávio convoca os seguranças da fazenda para procurarem Maria.
Luma diz a Tônia que ela a afasta de todos. Tônia afirma que a irmã precisa ser mais seletiva na escolha dos homens com quem se envolve. Tônia insinua que não é preciso um marido para se ter um filho. Um peão encontra parte da camisola de Maria ensanguentada. Otávio se emociona ao encontrar Maria junto ao bebê. Maria diz a Otávio que não sabe mais viver e ele a conforta.
Gisele Itié e Heitor Martinez são Manu e Martin.

Maria fala para Décio e Olívia que quer morar no Rio de Janeiro ou em São Paulo. Maria se descontrola e implora para que eles deixem a fazenda. Olívia e Maria do Socorro levam Tavinho e o filho da babá para longe da confusão. Otávio aceita se mudar para São Paulo.
Um homem disfarçado de coletor de leite se aproxima da babá e de Olívia e as rende. O homem agride a acompanhante e leva a babá e as duas crianças embora no caminhão. Olívia conta para o administrador que os bebês foram levados. Otávio e Jeremias perseguem o caminhão. O homem atira no pneu do carro de Otávio, que perde velocidade. Otávio observa desolado o caminhão se afastar.
Novela teve várias cenas gravadas em um transatlântico. 
O bandido obriga a babá a dizer para Otávio não chamar a polícia. Maria pressiona Otávio para saber o que aconteceu. Otávio conta para Maria sobre o sequestro e ela demonstra alívio. O sequestrador ameaça o filho da babá caso ela não volte para fazenda e cumpra o combinado. Maria leva Otávio para o quarto e pede que ele a ame.
A babá assegura a Otávio de que os bebês estão bem. Otávio pergunta a babá qual o valor exigido pelo resgate, mas ela afirma que precisa tratar com Maria. A babá diz a Maria que ela precisa ir de encontro aos sequestradores ou eles matarão seus filhos. Maria se recusa a seguí-la.

Para ler o resumo dos outros capítulo e saber mais sobre a novela, clique aqui e entre no site oficial de "Máscaras".
VIDEOS 
1 - CHAMADA DA NOVELA

2 - CHAMADA COM O AUTOR LAURO CÉSAR MUNIZ




"Máscaras" estreia nesta terça, 10h15 da noite. Vamos acompanhar!